Justiça libera empresas de IA a comprarem e destruírem livros para treinar algoritmos
Uma decisão da Justiça dos Estados Unidos abriu um precedente ao considerar legal que empresas de inteligência artificial comprem livros físicos, destrua...
POR CANALTECH
Publicado em 31/07/2026 às 16:04
Uma decisão da Justiça dos Estados Unidos abriu um precedente ao considerar legal que empresas de inteligência artificial comprem livros físicos, destruam os exemplares após a digitalização e utilizem as cópias digitais para treinar modelos de linguagem. No caso envolvendo a Anthropic, o juiz entendeu que a prática pode ser enquadrada como fair use (uso aceitável), desde que haja a compra legal da obra física e sua destruição após a criação de uma única cópia digital.
A interpretação foi apresentada no processo Bartz v. Anthropic PBC, movido pelos autores Andrea Bartz, Charles Graeber e Kirk Wallace Johnson. Embora a ação tenha resultado em um acordo de US$ 1,5 bilhão relacionado a cerca de 500 mil livros, o processo apontava que a Anthropic havia baixado aproximadamente 7 milhões de obras de bibliotecas piratas, como Libgen e PiLiMiL. A decisão também consolidou a legalidade da destruição de exemplares físicos para alimentar algoritmos.
Segundo esse entendimento, após adquirir e destruir o livro, a empresa controla os dados digitais gerados, sem que os autores possam decidir sobre o uso desse material no treinamento de ferramentas de IA.
O precedente também repercutiu no mercado editorial. Segundo o jornal The Telegraph, houve um aumento atípico na compra de livros raros e fora de catálogo por empresas de tecnologia para digitalização. O movimento levantou discussões sobre o impacto da prática na preservação de obras históricas e do patrimônio cultural, especialmente quando envolve exemplares com poucas cópias remanescentes.
:quality(85)/53dcd592-fbec-437b-9ca4-0b9331707a78.jpeg)
O que é o Projeto Panamá e por que ele está visando livros antigos?
O Projeto Panamá é uma iniciativa interna da Anthropic criada no início de 2024 para ampliar o acervo de livros utilizados no treinamento do Claude, o assistente de inteligência artificial da empresa. Documentos judiciais revelam que o projeto utilizava um codinome e orientava funcionários a evitarem conversas sobre a operação em locais públicos ou com pessoas de fora da empresa.
O processo começa com a compra de grandes lotes de livros, incluindo obras antigas, raras e fora de catálogo. Em seguida, os exemplares passam por um processo mecânico em que máquinas hidráulicas removem as lombadas para separar as páginas. Após a digitalização, os livros são transformados em polpa de papel para reciclagem, sendo destruídos de forma permanente.
:quality(85)/a09dc384-06e9-4eb4-812f-d841448b3bb0.png)
A preferência por livros publicados antes da popularização da inteligência artificial generativa está relacionada à qualidade dos dados utilizados no treinamento dos modelos. Estudos publicados nas revistas Nature e Physical Review Letters indicam que o uso recorrente de conteúdo gerado por outras IAs pode degradar o desempenho desses sistemas.
O trabalho publicado na Physical Review Letters ressalta, inclusive, que a inclusão de até mesmo um único dado produzido por humanos já pode ajudar a prevenir o colapso do sistema causado pelo uso de dados sintéticos. Por isso, obras produzidas antes da era da IA generativa são consideradas uma fonte valiosa de conteúdo criado por humanos para o treinamento desses modelos.
Se você gostou do conteúdo, talvez também se interesse por saber o que significa quando uma empresa diz que vai treinar IA com dados dos usuários.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}