Justiça determina reintegração de 22 trabalhadores de fábrica em Fortaleza após eleições
Justiça determina reintegração de 22 trabalhadores de fábrica em Fortaleza após eleições CN7A juíza substituta da 7ª Vara do Trabalho de Fortaleza, Manuela de Albuquerque Viana, de...
POR CN7
Publicado em 30/10/2026 às 10:20
A juíza substituta da 7ª Vara do Trabalho de Fortaleza, Manuela de Albuquerque Viana, determinou a reintegração imediata de 22 trabalhadores de uma fábrica de confecções de Fortaleza demitidos após as eleições. O retorno deve ocorrer em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil por cada trabalhador não reintegrado. As informações são do portal UOL.
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Na decisão, a magistrada afirma que a demissão gera “abalo psíquico individual e coletivo” e que manter o afastamento “consolida a eficácia perversa do ato intimidatório perante todo o corpo funcional da fábrica, perpetuando o receio de represálias e amordaçando a liberdade de pensamento no meio laboral”.
A determinação atende a uma denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo o MPT, na manhã da segunda-feira (26), primeiro dia útil após o segundo turno, o dirigente da empresa Gout Jeans reuniu os funcionários e anunciou a “dispensa arbitrária de ao menos 22 empregados com nítida motivação política e conteúdo intimidatório”.
A denúncia foi acompanhada de áudios e fotografias feitas no ambiente de trabalho. A magistrada aponta ainda “comprovação documental” da perseguição e a fixação de “cartazes depreciativos no interior da fábrica”. Para a Justiça, a reunião no primeiro dia útil após o resultado, seguida do anúncio do desligamento sob “ultrajes verbais e alusões à sua orientação eleitoral, estabelece nexo de causalidade direto e inequívoco entre o desligamento massivo e a discriminação por motivação político-partidária”. A empresa é optante do Simples e existe desde outubro de 2003.
O dono da empresa, Gutemberg Bittencourt, nega as acusações. Ele afirmou que a denúncia é falsa e que vai apresentar o Caged para comprovar que não houve demissões. “É tudo fake news, e vão pagar caro por isso. Eu sou uma pessoa trabalhadora, não tenho nenhum problema com empregado, estou com a consciência limpa”, disse. O empresário, que se declara de direita, afirmou ainda que sempre respeitou funcionários petistas e que não é o autor dos áudios. “Eu não tenho ideia de quem fez essa denúncia, mas esses áudios não sou eu. Vou tentar saber de quem foi e processar com calúnia.”
A decisão determina também que a empresa apresente a relação completa de todos os dispensados desde 26 de outubro, com termos rescisórios e comprovantes de convocação para retorno, além do livro ou folha de registro dos empregados de setembro e outubro de 2026.
A fábrica terá de enviar retratação individualizada a todos os empregados e publicar, em 48 horas, nos perfis oficiais nas redes sociais, por 15 dias consecutivos no feed e por sete dias nos stories, a seguinte declaração: “A direção da empresa vem a público esclarecer que a liberdade de convicção e preferência política é direito fundamental de todo cidadão e trabalhador, sendo rigorosamente vedada qualquer conduta de ameaça, coação, intimidação ou discriminação no âmbito das relações laborais, assegurando-se a todos, comprovando-se aos empregados um ambiente de trabalho livre e democrático”.
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Foi marcada audiência inicial para 13 de novembro. Até a resolução do caso, a empresa está proibida de praticar novos atos de assédio moral eleitoral, perseguição, coação ou ameaça contra os empregados reintegrados ou remanescentes.
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