Iranianos-americanos agitam bandeiras de protesto durante estreia do Irã na Copa do Mundo
Copa do Mundo FIFA 2026 - Grupo G - Irã x Nova Zelândia - Estádio de Los Angeles, Inglewood, Califórnia, EUA - 15 de junho de 2026. Manifestantes com bandeiras do Irã e car...
POR G1 MUNDO
Publicado em 16/06/2026 às 09:11

Copa do Mundo FIFA 2026 - Grupo G - Irã x Nova Zelândia - Estádio de Los Angeles, Inglewood, Califórnia, EUA - 15 de junho de 2026. Manifestantes com bandeiras do Irã e cartazes do ativista político iraniano Reza Pahlavi do lado de fora do estádio
REUTERS/Mike Blake
O Irã estreou na Copa do Mundo em Los Angeles nesta segunda-feira, diante de um público composto tanto por torcedores que o aplaudiam quanto por iranianos-americanos que exibiam símbolos de protesto contra o governo de Teerã.
A preparação para a partida foi marcada por drama fora de campo, com a equipe jogando em solo norte-americano apenas 24 horas após o anúncio de um acordo de paz para encerrar a guerra que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.
A seleção chegou aos EUA pela primeira vez nesta Copa do Mundo no domingo, voando de sua base de treinamento em Tijuana, no México, e aterrissando em Los Angeles no momento em que o acordo foi anunciado.
Em Los Angeles — lar da maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos dos quais fugiram do país após a Revolução Islâmica — torcedores iraniano-americanos dizem estar divididos entre a emoção de ver a seleção no maior palco do mundo, a raiva pela repressão de Teerã a manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.
Cerca de 300 a 500 manifestantes se reuniram no lado de fora do estádio, agitando cartazes e bandeiras contra o governo iraniano. Eles disseram que não queriam assistir à partida porque isso sugeriria apoio a Teerã.
Outros entraram no estádio, mas levaram consigo símbolos de protesto, incluindo a bandeira pré-revolucionária do Irã, que tem as mesmas cores da bandeira oficial atual, mas apresenta um padrão diferente, com o leão e o sol.
Isso cria um potencial conflito com a segurança e os direitos norte-americanos à liberdade de expressão.
O Irã ameaçou suspender as partidas se bandeiras não oficiais forem levadas ou slogans entoados, mas o jogo nesta segunda-feira ocorreu conforme planejado.
A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, havia afirmado, quando questionada sobre o assunto, que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política. Mas não se pronunciou especificamente sobre qual seria sua abordagem em relação à bandeira pré-revolucionária iraniana e não fez comentários em um primeiro momento nesta segunda-feira.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, esteve presente na partida.
A Reuters viu várias pessoas carregando a bandeira com o leão e o sol ou vestindo camisetas com o símbolo passando pela segurança sem qualquer problema nesta segunda-feira. Muitas começaram a erguer a bandeira a partir dos seus assentos.
Três pessoas nas arquibancadas vestindo camisetas brancas estampadas com o motivo do leão e do sol disseram que decidiram usá-las apesar das advertências.
“Esta equipe não é a equipe do povo do Irã”, disse um dos três, Farhad Jafargad. Ele e outros afirmaram que planejavam torcer pela Nova Zelândia.
Outros torcedores se envolveram na bandeira oficial e reclamaram que haviam sido hostilizados pelos manifestantes. Alguns disseram que queriam se concentrar em seu time — carinhosamente conhecido como Team Melli — e esquecer a política.
"Estou aqui para apoiar o Irã. Vamos ganhar este jogo", disse Mehdi Jafari, de 57 anos, vestindo uma camisa da seleção iraniana enquanto entrava no estádio.
“Temos muito orgulho do nosso país. Estamos aqui para torcer pelo Irã. Acho que todos devemos deixar a política de lado e simplesmente torcer pelo Team Melli.”
Enquanto alguns vaiaram o hino nacional iraniano e comemoraram o primeiro gol marcado pela Nova Zelândia, a maioria do estádio torcia pelo Irã e comemorou quando o time asiático empatou.
A participação do Irã no torneio tem sido marcada por controvérsias tendo como pano de fundo a guerra, que começou em fevereiro quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã.
Isso ocorreu após protestos em todo o país em janeiro no Irã, nos quais milhares de pessoas foram mortas em uma repressão sangrenta do governo.
Nas últimas semanas, a seleção mudou sua base do Arizona para o México, enquanto a federação reclamou que nem toda a delegação recebeu vistos dos EUA e que os ingressos destinados aos torcedores haviam sido retirados.
(Reportagem de Hatem Maher, Miguel Gutierrez, Leonardo Benassatto, Matt Silverstein, Arafat Barbakh, Rory Carroll e Ed White)