Intenção de consumo cai pelo terceiro mês e atinge menor nível desde janeiro
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou pelo terceiro mês consecutivo em outubro e atingiu 103,6 pontos, o menor nível desde janeiro deste ano. O indicador, calculado mensa...
POR O ESTADO
Publicado em 27/10/2026 às 09:28
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou pelo terceiro mês consecutivo em outubro e atingiu 103,6 pontos, o menor nível desde janeiro deste ano. O indicador, calculado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,8% na comparação com setembro, já descontados os efeitos sazonais.
O resultado indica aumento da cautela dos consumidores diante das perspectivas para o mercado de trabalho e das condições atuais de consumo. Todos os componentes do índice registraram queda no mês, com destaque para o Momento para Compra de Duráveis, que recuou 1,8%, na terceira retração consecutiva e na mais intensa desde o início desse movimento.
A Renda Atual apresentou a menor queda entre os componentes, de 0,3%, mas acumulou o quinto resultado mensal negativo consecutivo. Para a CNC, o cenário mostra que, apesar da proximidade das principais datas comerciais do fim do ano, o orçamento das famílias segue pressionado por dívidas e contas em atraso.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia que o período continua favorável ao comércio, mas ressalta que a situação financeira dos consumidores poderia estar mais robusta. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, afirma Tadros. Apesar da perda de fôlego no curto prazo, a ICF ainda mostra desempenho melhor do que há um ano. Na comparação com outubro de 2025, o indicador geral avançou 2,2%.
O principal destaque positivo nessa comparação foi justamente o Momento para Compra de Duráveis, com alta de 14%. Desde novembro do ano passado, a percepção mais favorável sobre esse tipo de aquisição tem sido beneficiada pela menor pressão inflacionária sobre os bens duráveis.
Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses desse grupo foi de 1,12%, bem abaixo dos 4,58% registrados pelo IPCA no mesmo período. Ainda assim, a retração mensal do indicador mostra que a melhora dos preços, sozinha, não tem sido suficiente para sustentar o ritmo de consumo.
O mercado de trabalho também começa a inspirar maior cautela. O componente Emprego Atual caiu 0,7% em outubro, na primeira retração mensal desde abril, embora ainda esteja 1,5% acima do resultado de um ano antes. A Perspectiva Profissional recuou 0,6% no mês e acumulou a sexta queda mensal consecutiva. Na comparação anual, o indicador caiu 7,7%, a maior retração entre todos os componentes da ICF.
A percepção de segurança no emprego também perdeu força. Embora 42,7% das famílias ainda considerem o momento mais seguro para conseguir ou manter uma ocupação, esse percentual diminuiu em relação aos levantamentos anteriores. Já 48% dos consumidores mantêm uma avaliação positiva sobre a perspectiva profissional, menor percentual desde setembro de 2022.
O Nível de Consumo Atual chegou a 90,1 pontos em outubro, menor resultado desde dezembro de 2025. A retração da intenção de consumo atingiu tanto as famílias de menor quanto as de maior renda. Entre aquelas com rendimento de até dez salários mínimos, o índice caiu 0,8%, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a dez salários mínimos, houve a mesma redução percentual, levando o indicador a 115,4 pontos.
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