Insatisfação da indústria com lucratividade atinge maior nível desde a pandemia
A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade dos próprios negócios atingiu, no terceiro trimestre de 2026, o maior patamar desde a pandemia. Segundo a Sondagem In...
POR O ESTADO
Publicado em 26/10/2026 às 09:41
A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade dos próprios negócios atingiu, no terceiro trimestre de 2026, o maior patamar desde a pandemia. Segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de satisfação com a margem de lucro caiu 1,3 ponto, para 42,2 pontos, menor nível desde o segundo trimestre de 2020.
O resultado reforça a percepção de deterioração do ambiente de negócios para a indústria, pressionada por custos elevados, demanda mais fraca e redução do faturamento. Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, parte dessa pressão está relacionada aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os custos de produção. “Essa insatisfação reflete uma maior pressão de custos, em parte por conta da guerra no Oriente Médio. Adicionalmente, há redução da demanda e, naturalmente, do faturamento das empresas, fatores que apertam o lucro”, afirma.
A piora não se restringiu à rentabilidade. O índice de satisfação com a facilidade de acesso ao crédito caiu 0,5 ponto, para 39,4 pontos, enquanto o indicador relacionado à situação financeira das empresas recuou 0,2 ponto, para 47,4 pontos. Os números abaixo da linha de 50 pontos indicam insatisfação dos empresários. O cenário mostra que, além de lidar com menor dinamismo da atividade, parte da indústria enfrenta dificuldade para obter financiamento em condições consideradas adequadas.
Por outro lado, houve alguma desaceleração na pressão exercida pelos insumos. O índice que mede a evolução do preço médio das matérias-primas caiu 3,6 pontos, para 60,5 pontos. Apesar da redução, o indicador continua acima de 50 pontos, sinalizando que os custos ainda estão aumentando, embora em ritmo menos intenso.
Obstáculos
Entre os principais obstáculos apontados pelos industriais, a elevada carga tributária permaneceu na liderança. No terceiro trimestre, 37,2% dos empresários citaram os impostos entre os maiores problemas enfrentados pelo setor, aumento de 3,9 pontos percentuais na comparação com o trimestre anterior.
A insuficiência da demanda interna ganhou peso e passou da quarta para a segunda colocação no ranking. O problema foi mencionado por 29,6% dos entrevistados, alta de 3 pontos percentuais. As taxas de juros elevadas ficaram em terceiro lugar, citadas por 24,3% dos empresários.
Outro sinal de enfraquecimento da atividade aparece no comportamento dos estoques. Pelo terceiro mês consecutivo, o índice que compara o estoque efetivo com o planejado subiu e alcançou 50,8 pontos em setembro, maior patamar desde outubro de 2023.
Segundo a CNI, o movimento indica que as vendas ficaram abaixo do esperado, levando ao acúmulo de produtos não planejados. “Isso é sinal de uma frustração de demanda, que acabou ficando aquém do esperado, aumentando os estoques indesejados”, explica Azevedo.
O economista alerta que o excesso de estoques pode limitar uma recuperação mais rápida da produção, já que as empresas tendem a reduzir a fabricação até que parte desses produtos seja vendida. Além disso, a manutenção de estoques gera custos adicionais para as companhias.
Outros indicadores também apontam perda de ritmo. O índice de evolução da produção ficou em 46,7 pontos em setembro, abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando retração em relação a agosto. O indicador de número de empregados atingiu 48 pontos, indicando percepção de redução do emprego industrial. Na direção oposta, a Utilização da Capacidade Instalada avançou 1 ponto percentual e chegou a 70%, mesmo nível registrado no mesmo período do ano passado.
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