IJF registra índices quase iguais de atendimentos de queimaduras de 2025 a 2026
De janeiro a maio deste ano, instituição atendeu 1.239 casos de queimaduras. Número demonstra pouca variação referente ao mesmo período de 2025. Casos com líquidos quentes liderara...
POR O ESTADO
Publicado em 17/06/2026 às 01:00
O Instituto Doutor José Frota (IJF) apresentou, de janeiro a maio de 2026, um total de 1.239 casos de queimaduras atendidas pelo equipamento. O número demonstra pouca variação em relação ao mesmo período de 2025, quando o local contabilizou 1.198 atendimentos. Os quase 1,2 mil atendimentos de janeiro a maio do ano passado representam cerca de 40% em relação ao total de ocorrências de 2025, quando o instituto contabilizou 2.924 casos do tipo.
Neste mês, o IJF busca, por meio da campanha Junho Laranja, conscientizar a população sobre os riscos de queimaduras, seus impactos na saúde e as formas de evitá-las. Neste ano, a mobilização traz como tema “Trabalho seguro sem queimaduras: prevenção é o melhor equipamento de proteção”. Em alusão ao movimento, as fachadas dos prédios IJF 1 e IJF 2 recebem iluminação na cor laranja durante todo o mês. Nacionalmente, o Dia de Luta Contra Queimaduras é lembrado em 6 de junho.
Líquidos quentes
Dos quase 3 mil casos de 2025, 56% envolveram acidentes com líquido quente, com 1.637 ocorrências. É o caso de Vitória Dantas , que queimou a pele com óleo quente. A guia de turismo de 23 anos afirma que, ao preparar batatas fritas em uma frigideira, exagerou na quantidade de óleo e, por um descuido do namorado, que bateu a mão no cabo da panela, que estava no fogão e foi lançada, por um incidente, em sua direção no movimento de catapulta.
“O óleo pegou nas costas, braço, nádega, perna direita e alguns respingos na perna esquerda”. Vitória conta que o líquido também atingiu a mão do namorado e respingou em partes do corpo dele. Por falta de conhecimento, sinaliza ela, não recorreu à água corrente de imediato, e o óleo fritou na pele por mais tempo que deveria. Só após falar com um vizinho, ela se colocou embaixo do chuveiro.
Vitória complementa dizendo que não entendeu a gravidade da situação até entrar em atendimento, no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), cerca de uma hora depois. “As queimaduras foram em segundo grau. A pele do braço, por conta da espessura e ser mais fina, alcançou o terceiro grau”.
A guia acrescenta que precisou, por um mês, ir periodicamente ao HGF para refazer os curativos. Vitória relembra que a recuperação dos ferimentos não teve um tempo regular, devido a diferença de infecção das partes lesionadas, mas relembra que a pele do braço, onde foi detectado queimadura de terceiro grau, doía mesmo um ano após o acontecido. O incidente aconteceu em outubro de 2023.
Outra vítima de queimaduras na pele foi Rafael Fernandes, 20. Seu caso também envolveu líquidos quentes, mas foi com café, enquanto esperava o processo de filtração. “O coador virou quando eu coloquei a água e caiu todo em cima de mim com a água quente”. Rafael conta que o ferimento atingiu a barriga e uma parte da cintura. Já ciente dos procedimentos iniciais, Rafael foi para debaixo do chuveiro para eliminar os vestígios.
O tratamento, segundo ele, foi feito em casa com o uso de uma pomada. O caso aconteceu em 2021. Por ser período de pandemia, o estudante relata que preferiu não ir ao hospital. “Minha sorte era que minha vizinha era farmacêutica e ajudou com o que fazer”, finalizou.(Por Júlia Lopes, estagiária sob supervisão de editores)
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