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Ceará / 04.08.2026

Fraudes no INSS: PF aponta apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro; operação mira entorno do senador Weverton Rocha

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (4), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes em descontos de aposentadorias e ...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 04/08/2026 às 14:30

Fraudes no INSS: PF aponta apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro; operação mira entorno do senador Weverton Rocha
© FONTE: Ceará Agora

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (4), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. Ao solicitar autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a operação, a PF informou que apreendeu, em maio deste ano, R$ 1 milhão em dinheiro vivo que, segundo as investigações, seria destinado a um ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça e tem como principal alvo o advogado Willer Tomaz, apontado pelos investigadores como operador financeiro ligado ao senador, além de familiares de Weverton. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado contra a realização das buscas, defendendo a adoção de medidas menos invasivas, como a quebra de sigilos.

Segundo a decisão do ministro, a apreensão do dinheiro reforça a hipótese da existência de um esquema de movimentação de recursos fora do sistema bancário formal.

Movimentações em dinheiro vivo

De acordo com a Polícia Federal, uma funcionária do escritório de Willer Tomaz, responsável pelo controle financeiro, registrava repasses em espécie destinados ao senador. Os investigadores identificaram anotações de pagamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, entre maio e julho de 2024, associados a tratativas envolvendo aeronaves particulares, pilotos, hangares e deslocamentos entre Brasília e o Maranhão.

Durante buscas no escritório de advocacia, os policiais apreenderam ainda uma máquina capaz de contar até 1.200 cédulas por minuto, compatível com operações em reais, dólares e euros.

A análise do celular de Weverton Rocha também apontou, segundo a PF, indícios de circulação de dinheiro em espécie entre investigados, além de movimentações envolvendo pessoas físicas e jurídicas, investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de comunicação.

As investigações ainda alcançaram empresas contratadas por prefeituras maranhenses, integrantes da construção civil, agentes políticos e contratos públicos municipais.

Operação cumpre 18 mandados

Ao todo, a Polícia Federal cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão para aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao esquema de fraudes no INSS.

Os investigadores apontam que Willer Tomaz atuaria como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” utilizado pelo senador Weverton Rocha para movimentação de recursos.

Defesa nega irregularidades

Em nota, o advogado Willer Tomaz afirmou que as diligências decorrem exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, de forma particular, pelo senador em uma viagem já conhecida pelas autoridades.

A defesa sustenta que Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e que não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários. Segundo a nota, a utilização da aeronave ocorreu em caráter pessoal e amistoso, sem relação com os fatos investigados.

Senador não foi alvo direto

Embora o senador Weverton Rocha não tenha sido alvo de mandados nesta fase da operação, a decisão do ministro André Mendonça inclui sua esposa, Samya Rocha, e as irmãs Geyse Rocha e Shainess Kellmassen Rocha entre os investigados.

Segundo o magistrado, a inclusão de Samya Rocha não decorre do vínculo conjugal, mas de indícios de que ela teria recebido valores considerados ilícitos e participado de negociações relacionadas a imóveis, reformas e despesas do casal por meio da empresa Rocha Holding Patrimonial.

Weverton Rocha já havia sido alvo de buscas em dezembro do ano passado, quando o STF apontou indícios de que ele poderia ter se beneficiado de recursos oriundos dos descontos associativos fraudulentos. Na ocasião, o senador afirmou ter recebido a decisão com surpresa e declarou estar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

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