Flávio tenta agrupar mulheres, diz que Michelle está desinformada e repudia fala de aliado
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu um grupo de mulheres nesta quarta-feira (1) em uma tentativa de aceno ao eleitorado feminino após a crise co...
POR O ESTADO
Publicado em 01/07/2026 às 22:53
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu um grupo de mulheres nesta quarta-feira (1) em uma tentativa de aceno ao eleitorado feminino após a crise com Michelle Bolsonaro (PL), mas expôs as resistências internas que sofre na própria direita.
Além da ausência da própria ex-primeira-dama, figuras importantes, como as ex-ministras e senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS), não compareceram, e Flávio disse que Michelle está “completamente desinformada” ao ter insinuado a participação dele em festas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
“Eu quero garantir para vocês aqui: a única relação que eu tenho com Vorcaro é sobre o filme do meu pai [‘Dark Horse’]”, declarou o senador, ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro.
Nesta semana, Michelle repostou um vídeo em que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho diz ter visto imagens de festas de Vorcaro com mulheres peladas e “homens que defendem a família”. Mesmo sem ter citado Flávio, o gesto foi visto por aliados dele como uma indireta para tentar ligar o senador ao escândalo.
Flávio elogiou a madrasta dizendo que o trabalho dela no PL Mulher deve ser reconhecido, mas que talvez ela esteja sendo induzida “ou não dá para entender muito bem”.
O senador também contemporizou a briga pública com Michelle dizendo que a “respeita demais” e que tem convicção de que eles vão superar este momento difícil para estarem juntos durante a campanha contra Lula (PT).
Flávio buscou atenuar a má repercussão de falas do empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, hoje braço-direito de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Em um vídeo contra Michelle, Figueiredo disse que mulheres “votam muito mal”, em especial as solteiras.
Quase uma semana depois do vídeo de Figueiredo, Flávio disse “repudiar veementemente” as falas. O senador afirmou que o influenciador, com quem ele esteve na visita a Donald Trump à Casa Branca, não participa da campanha e que se sentiu ofendido.
“Não concordo com o que ele falou, completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha. Óbvio que é uma pessoa que nos ajuda muito nos Estados Unidos [ ], em função disso as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha”, afirmou Flávio.
Figueiredo compartilhou a declaração de Flávio, disse que o pré-candidato faz bem em repudiar a fala dele e minimizou sua atuação no clã Bolsonaro. “Sou um comentarista que o apoia como eleitor”, escreveu no X (ex-Twitter).
O entorno de Michelle tem reclamado do silêncio de Flávio diante dos ataques sofridos por ela e por aliadas nas redes sociais, após o vídeo em que diz que o enteado a humilhou a maltratou. Na visão dela, Flávio não repudiou nem desautorizou essas ações.
Michelle deixou a presidência do PL Mulher nesta terça (30) e afirmou a pessoas próximas estar ainda mais desanimada com a possibilidade de ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Ela comunicou a decisão ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em uma reunião de quase duas horas no partido. De lá, seguiu para a sede do Governo do Distrito Federal, onde se encontrou com Damares e a governadora Celina Leão (PP).
Damares foi acionada por Flávio para tentar organizar o encontro horas antes da divulgação do vídeo de Michelle. A senadora havia afirmado inicialmente que participaria da reunião e levaria sugestões para o plano de governo.
A agenda ocorreu em uma casa do advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-candidatura de Flávio, em Brasília. O local tem sido tratado pelo grupo como escritório da pré-campanha.
O senador também estava do lado de Daniella Marques, que tem coordenado um eixo de propostas voltado para o eleitorado feminino e é hoje uma das principais cotadas a vice. A ideia é apresentar o plano, batizado de “Brasil Por Elas”, no próximo dia 15.
A pré-campanha de Flávio afirma que “mais de 50 lideranças femininas” participaram, mas a reunião contou com poucos nomes de peso no bolsonarismo. A maioria integrantes deve disputar as eleições deste ano.
Uma aliada que não quis ser identificada afirmou à reportagem que preferiu consultar Michelle antes de confirmar presença na reunião com Flávio. Ela disse que Michelle a encorajou a comparecer porque entendia que isso seria importante para a campanha eleitoral dessa participante.
Com a saída de Michelle, Valdemar decidiu extinguir o cargo de presidente do PL Mulher. Segundo o partido, o coletivo de mulheres vai continuar existindo, mas com as presidentes estaduais e municipais subordinadas ao comando geral da sigla.
A vice-presidente nacional do PL Mulher é a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), um dos pivôs da briga de Michelle com os enteados. A ex-primeira-dama quer que Priscila seja candidata ao Senado, mas o partido deve lançar Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes, presidente do PL do Ceará.
Priscila participou do encontro com Flávio e evitou falar com a imprensa na chegada à reunião sobre a situação do PL Mulher. Ela disse que fará isso quando “conversar com a Michelle e o presidente Bolsonaro sobre o período de transição”. Aliados de Flávio minimizaram a desavença com Michelle. “Quem tem família grande sabe, tudo se ajeita no final. Nesse período de pré-campanha é quando tem para lavar a roupa suja. Na hora da campanha, todos se abraçam e se ajustam”, disse o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ).
(Folhapress)
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