Flávio Bolsonaro posta vídeo de IA com 'resgate' de Neymar após fala de Lula
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24), um vídeo na rede social X gerado por inteligência artificial no qual transp...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 24/06/2026 às 20:03

O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24), um vídeo na rede social X gerado por inteligência artificial no qual transporta o atacante Neymar em um avião militar e o leva para um jogo de futebol nos Estados Unidos.
O vídeo foi publicado por volta das 13h no perfil oficial do senador, horas antes de a Seleção entrar em campo para enfrentar a Escócia pela Copa do Mundo. O jogo será em Miami, às 19h.
Resultado contra a Escócia definirá caminho do Brasil na Copa; veja cenários
"Missão de hoje: o resgate do menino Ney @neymarjr. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados pra trás", escreveu Flávio ao compartilhar a postagem.
Neymar poderá entrar em campo pela primeira vez nesta quarta. Ele não atuou nas duas partidas anteriores por causa de uma lesão na panturrilha.
Vídeo de IA compartilhado por Flávio mostra o 'resgate' de Neymar após fala de Lula sobre convocado para a seleção trabalhar de 'home office'
Reprodução/X - @Flávio Bolsonaro
O vídeo mostra uma versão artificial de Flávio Bolsonaro pilotando um avião com as cores da bandeira do Brasil. Ele aparece em uma espécie de quartel-general, onde assistia a um trecho da fala do presidente Lula sobre a convocação de Neymar para a seleção.
Em 19 de junho, ao conversar com uma criança que acompanhava um evento em Belo Horizonte, Lula fez uma brincadeira e disse que Neymar é "o primeiro convocado home office do mundo", provocando risos na plateia. No último fim de semana, Flávio gravou um vídeo em que defendeu Neymar e criticou o presidente.
"Neymar é craque e Lula é presidente turista. Só um deles tem espaço no coração dos brasileiros e pode ter certeza: o Brasil está do lado e torcendo pelo @neymarjr", escreveu no X.
No vídeo gerado por IA, o personagem de Flávio, trajado com um uniforme parecido com o da Força Aérea Brasileira (FAB), reage à fala de Lula e pede para prepararem sua aeronave.
Há um corte para imagens de Neymar treinando, até que o avatar do pré-candidato chega diz ao jogador que todos estavam esperando por ele. O vídeo termina com Neymar entrando em campo e a torcida comemorando sua chegada, após ser transportado por Flávio no avião.
De acordo com uma atualização de fevereiro de 2024 da resolução de propaganda eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é proibido o uso de deep fakes "para prejudicar ou para favorecer candidatura", mesmo que com autorização de pessoa viva, falecida ou fictícia. Já em março deste ano, a corte decidiu que o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral é permitido, mas é obrigatório informar que o conteúdo foi gerado por IA e qual foi a ferramenta utilizada.
Agora no g1
Enxurrada de ações no TSE
A publicação acontece dias após o PT ter acionado o Tribunal Superior Eleitoral contra o PL por causa de outro vídeo gerado por inteligência artificial. A ação cita uso irregular de IA e propaganda eleitoral antecipada.
A petição cita uma publicação de 17 de junho na qual Flávio Bolsonaro e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, são retratados como militares a bordo de um avião durante uma operação policial.
No vídeo, Flávio atira contra embarcações identificadas com as siglas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Uma terceira embarcação exibe a sigla do PT.
Até a publicação desta reportagem, o TSE não havia tomado uma decisão. Ao menos 135 representações já foram protocoladas na corte sobre a eleição deste ano. A maioria partiu do PL e do PT e trata de propaganda eleitoral antecipada por meio do uso de inteligência artificial.
No início de março deste ano, o TSE divulgou as regras que servirão como guia para os partidos e candidatos nas eleições de outubro.
Entre as novidades de 2026, estão a proibição de impulsionar conteúdos gerados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas após a votação.
Plataformas de IA, como o ChatGPT e o Gemini, não podem recomendar candidatos ou ranquear candidaturas, mesmo que o usuário solicite.
As regras deste ano também ampliaram as exigências de transparência sobre conteúdos impulsionados por candidaturas. A partir de agora, as campanhas deverão identificar de forma "inequívoca" que se trata de conteúdo patrocinado, além de disponibilizar informações claras sobre o impulsionamento.
Além disso, materiais criados ou manipulados com IA deverão trazer aviso explícito, em local destacado e de fácil visualização, informando que o conteúdo foi fabricado ou alterado, bem como qual tecnologia foi utilizada. A exigência também se aplica a materiais impressos.
O que mais foi definido para 2026
Proibição da circulação de conteúdos gerados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas depois da votação.
Plataformas de IA, como o ChatGPT, não podem recomendar candidatos ou ranquear candidaturas - nem se o usuário pedir.
Plataformas de IA também não podem criar ou alterar imagens com conteúdo sexual envolvendo candidatos e produzir conteúdo que configure violência política contra a mulher.
"Responsabilidade solidária" de provedores por não remover imediatamente conteúdos sintéticos irregulares.
Tribunais poderão firmar convênios com universidades para apoio técnico em perícias digitais.
Criação de "planos de conformidade" para as plataformas digitais. Esses planos funcionam como um roteiro detalhado de prestação de contas, antes, durante e depois do processo eleitoral, sobre os erros e acertos das medidas adotadas para contenção de danos.