Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
A guerra como negócio: cresce na Alemanha o mercado de bunkers A guerra voltou a ocupar espaço no imaginário dos alemães — e também movimenta um mercado que parecia pertenc...
POR G1 MUNDO
Publicado em 09/06/2026 às 07:00

A guerra como negócio: cresce na Alemanha o mercado de bunkers
A guerra voltou a ocupar espaço no imaginário dos alemães — e também movimenta um mercado que parecia pertencer ao passado. Em meio às tensões geopolíticas provocadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, cresce na Alemanha a procura por bunkers particulares e sistemas de proteção subterrânea.
O movimento reflete uma mudança de percepção em um país marcado pelas memórias da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria. Enquanto o governo discute a reativação de antigos abrigos públicos, empresas especializadas registram aumento expressivo nas vendas de bunkers para uso privado.
Segundo o diretor de uma das maiores fabricantes do setor, antes da guerra na Ucrânia a empresa vendia entre 50 e 70 bunkers por ano. Hoje, a média chega a 200 unidades anuais. O catálogo inclui desde abrigos familiares até modelos voltados para quem deseja manter as atividades profissionais mesmo em situações extremas.
Um dos produtos mais procurados é o chamado "Safe Office", um bunker-escritório instalado no subsolo, projetado para oferecer proteção contra explosões e até radiação. O preço pode chegar a cerca de R$ 800 mil.
As empresas do setor rejeitam a ideia de que lucram com o medo. Para os fabricantes, a compra de um bunker segue a mesma lógica de seguros residenciais ou equipamentos de segurança usados no dia a dia.
"Muita gente me pergunta se eu vendo segurança ou medo. Eu não tenho problema nenhum com essa questão. Fazemos seguro para a casa, seguro-saúde. Alguém precisa vender bunkers neste país", afirma um empresário do ramo.
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Reprodução/TV Globo
Bunker construído em casa
Christian, morador da Baviera, decidiu construir o próprio bunker durante as obras da nova residência da família.
Com a ajuda de amigos e do filho de 13 anos, ele investiu cerca de 45 mil euros — aproximadamente R$ 270 mil — em um abrigo subterrâneo equipado com camas, cozinha, banheiro, mesa de jantar e estoques de emergência. No local, também mantém equipamentos militares, como máscaras de gás, medidor de radiação e colete à prova de balas.
Ex-militar, Christian diz que a decisão foi influenciada pelas notícias sobre a guerra na Ucrânia e pelas lembranças da Guerra Fria.
"No começo, minha mulher achava que eu estava maluco, mas, com o tempo, acompanhando o noticiário, mudou de opinião", relata.
Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha
Reprodução/TV Globo
País quer ampliar proteção
A preocupação não está restrita aos cidadãos. A Alemanha possui atualmente 579 abrigos públicos com capacidade para cerca de 480 mil pessoas, menos de 1% da população. Nenhum deles está operacional atualmente.
Diante do novo cenário de insegurança na Europa, o governo alemão planeja reativar parte dessa estrutura, além de modernizar sistemas de emergência e reforçar as Forças Armadas. A meta é recrutar 80 mil novos soldados até 2035. O ministro da Defesa já declarou que o país precisa estar preparado para um eventual conflito.
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Reprodução/TV Globo
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