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Ceará / 06.06.2026

Expedição científica identifica mais de 70 novas espécies em região remota de Angola

Uma expedição realizada por pesquisadores do The Wilderness Project revelou uma impressionante descoberta no planalto de Lisima, em Angola. Os cientistas identificaram mais de 70 e...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 06/06/2026 às 19:00

Expedição científica identifica mais de 70 novas espécies em região remota de Angola
© FONTE: Ceará Agora

Uma expedição realizada por pesquisadores do The Wilderness Project revelou uma impressionante descoberta no planalto de Lisima, em Angola. Os cientistas identificaram mais de 70 espécies até então desconhecidas pela ciência, incluindo insetos, aranhas e outros invertebrados que habitam uma das regiões mais isoladas do continente africano.

Entre as novas espécies catalogadas estão oito tipos de libélulas ainda não descritas oficialmente, três espécies inéditas de gafanhotos e cerca de 60 mariposas e borboletas que podem representar novos registros para a ciência. Além disso, aproximadamente 300 espécimes coletados durante a expedição ainda aguardam análise e classificação em laboratório.

Um dos achados que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi uma espécie de aranha-caranguejo coroada capaz de emitir um brilho azul quando exposta à luz ultravioleta. O fenômeno, considerado raro, ainda está sendo estudado pelos especialistas, que buscam compreender as razões biológicas por trás dessa característica.

Região preservada pelo isolamento

O planalto de Lisima é uma área de difícil acesso e permaneceu pouco explorada durante décadas. A região foi fortemente impactada pela guerra civil angolana e ainda possui áreas com minas terrestres enterradas, o que limitou a presença humana e a realização de pesquisas científicas.

Segundo os integrantes da expedição, esse isolamento acabou contribuindo para a preservação dos habitats naturais e da biodiversidade local. A ausência de atividades humanas intensas permitiu que diversas espécies permanecessem protegidas e desconhecidas por muito tempo.

Para a bióloga angolana Laurinda Madela de Fraga, que participou do projeto, a pesquisa representa um importante avanço para o conhecimento da fauna do país e para a valorização do patrimônio natural angolano.

Descobertas reforçam importância da conservação

Os levantamentos também identificaram 103 espécies de libélulas e donzelinhas na região, das quais 34 nunca haviam sido registradas anteriormente naquela área. Entre elas, oito espécies inéditas encontradas inicialmente em 2019 estão agora em processo de descrição formal.

Durante o estudo, os pesquisadores catalogaram ainda mais de mil exemplares de mariposas e borboletas. A estimativa é que cerca de 6% desse total represente espécies nunca antes documentadas pela ciência.

Para Rob Taylor, líder da expedição, a importância do trabalho vai além da descoberta de novas espécies. Segundo ele, o principal resultado é ampliar o conhecimento sobre uma região que permanecia praticamente desconhecida pelos cientistas.

Os pesquisadores destacam que as informações obtidas serão fundamentais para orientar futuras ações de conservação e garantir a proteção dos ecossistemas que abrigam essa rica biodiversidade.

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