Expansão nuclear abre fronteira de investimentos e coloca Ceará no centro da estratégia energética
O movimento mundial acerca da energia nuclear, as metas do Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055) e o papel do Ceará nesse contexto são alguns dos assuntos que serão tratados pe...
POR O ESTADO
Publicado em 19/06/2026 às 03:58
O movimento mundial acerca da energia nuclear, as metas do Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055) e o papel do Ceará nesse contexto são alguns dos assuntos que serão tratados pelo presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Figueiredo, na reunião ordinária da Câmara de Energias do Ceará, nesta sexta-feira (19/05), na sede da Fecomércio.
Tomás Figueiredo explica sobre o redimensionamento das metas do PNE 2055. “O 2050 tinha uma meta de geração de 3 GW de energia nuclear e hoje produz 2GW. Então, a gente está planejando uma meta que aumenta em 5 vezes. Na revisão, aumentou de 10 para 14 GW. Então, o Brasil já tinha uma meta bastante audaciosa e foi além”.
Para o presidente, esses movimentos precisam ser bastante planejados, uma vez que a ampliação da meta impõe ao Brasil uma necessidade de preparação para a demanda futura. Segundo ele, uma usina nuclear quando posta em operação, diferente de uma usina térmica, sempre produz na potência total que está projetada e esse combustível é o urânio.
“Atualmente, o Brasil tem Angra 1 e Angra 2 que produzem 2 GW, e para atender a meta de 14GW deveremos ter entre 8 e 12 novas usinas nucleares. Elas estão na meta e é uma sinalização do governo que deve caminhar nesse sentido, porque, até então, essa meta estava estável no plano de energia 2030, que não foi cumprida, mantida no 2050 e agora ela foi ampliada”, observa.
Para ele, discutir e ter essa fase de preparação é fundamental, tendo em vista que é um processo longo. “Preparar a INB, que detém o monopólio da fabricação do combustível nuclear, é para agora, porque leva tempo, pois até que coloque uma mina nova operação vai levar 15, 16 anos”.
Ceará
Tomás Figueiredo falou da importância do Ceará para o PNE 2055. Segundo ele, o projeto Santa Quitéria tem volume de concentração de urânio capaz de atender quase a totalidade da demanda nuclear. “O Ceará tem um papel fundamental para o atingimento das metas do PNE 2055. É a partir do urânio produzido em Santa Quitéria que vamos ter condições de abastecer as novas usinas”, afirma.
Sobre a nova termoelétrica do Porto Pecém, anunciada pelo Governo do Estado, Figueiredo disse ser importante para estabilizar o sistema brasileiro que é dependente de energias intermitentes, mas salienta que a nuclear é uma matriz mais limpa e que fica à disposição 24 horas, com menos dependência das ações do tempo.
Santa Quitéria
Localizada a cerca de 220 km de Fortaleza, a reserva tem perspectiva de produzir anualmente 1.050.000 toneladas de fertilizantes fosfatados, 220.000 t de fosfato bicálcico e 2.300 toneladas de concentrado de urânio, segundo dados do Consórcio Santa Quitéria.
O projeto prevê ainda a geração de 6,3 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação, 1,6 mil empregos diretos e indiretos na fase de operação, tem R$ 2,3 bilhões de investimento para a construção do complexo minero industrial, com R$ 220 mi já investidos em pesquisas e projetos sociais na região.
O consórcio promete uma minimização do consumo de água, que não haverá barragens de rejeitos, redução na área ocupada e necessidade de desmatamento, além de autossuficiência energética.
(Por Emanuel Santos)
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