Existe idade ideal para engravidar? Dr. Kalil e especialistas respondem
O perfil das gestantes no Brasil e no mundo tem mudado nos últimos anos. Em vez de terem filhos no início da idade fértil, entre 18 e 25 anos, as mulheres têm adiado a maternidade...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 04/09/2026 às 16:18

O perfil das gestantes no Brasil e no mundo tem mudado nos últimos anos. Em vez de terem filhos no início da idade fértil, entre 18 e 25 anos, as mulheres têm adiado a maternidade cada vez mais em busca de desenvolvimento profissional e pessoal. Mas será que existe idade ideal para engravidar?
No programa “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” deste sábado (5), o Dr. Roberto Kalil faz essa pergunta para suas convidadas, Rosiane Mattar, professora titular da EPM/Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo), e Karina Belickas, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.
“Hoje é muito comum em todos os níveis socioeconômicos. Não é só no nível mais alto, porque no nível mais alto, a pessoa quer estudar, começar a trabalhar, viajar, aproveitar a vida, comprar apartamento, fazer mestrado, doutorado, livre-docência e depois engravidar”, observa Roseane. “Mas, mesmo entre as pacientes com nível menor, por vários fatores sociais, educacionais e profissionais (…), a gravidez é mais tardia.”
No entanto, a especialista afirma que, do ponto de vista biológico, existe um período ideal para engravidar, que representa menos riscos para a mãe e para o bebê.
“Apesar de o corpo biológico ideal para engravidar estar entre os 18 e 24 anos, a mulher de 40 anos hoje chega muito mais ativa, saudável e bem cuidada, embora cada célula ainda saiba a idade que tem”, afirma Rosane.
Principais complicações gestacionais
Entre as principais complicações que uma gestação pode apresentar, estão a pré-eclâmpsia e a diabetes gestacional, de acordo com Karine. Se não forem bem cuidadas e acompanhadas, essas condições podem levar ao parto prematuro.
“Existe a produção de hormônio específico da placenta, que faz com que aumente o risco de diabetes, principalmente a partir de 24 a 26 semanas, que é o hormônio lactogêneo placentário. Ele aumenta a resistência insulínica periférica e aumenta o risco da gestante, a partir dessa idade estacional, ter mais diabetes”, explica Karine.
“Por conta dessas complicações, que são as mais frequentes, a gente tem os desafios do restante da gestação”, acrescenta. “Você tem que contornar todas essas coisas com a paciente, com mudança de hábito e, eventualmente, medicação e orientação, para que a gente não precise ter uma antecipação do parto para garantir que esse bebê tenha desenvolvimento adequado”, completa.
Cuidados pré e pós-parto, saúde mental e desafios na amamentação
O programa “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” também debate os cuidados necessários no pré-natal, como a realização de exames rotineiros, vacinação para proteção da mãe e do bebê e a suplementação de cálcio, quando necessário.
Segundo Karina, vacinas como as da gripe, do tétano (com proteção contra a coqueluche) e a nova imunização contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) visam principalmente transferir anticorpos da mãe para o recém-nascido. “Muito da vacinação durante a gestação tem como objetivo oferecer uma imunidade maior para esse bebê, não só para a gestante”, afirma.
Os especialistas debatem, ainda, sobre a importância de cuidar da saúde mental no pós-parto. A transição para a maternidade traz alterações emocionais profundas que exigem atenção da rede de apoio.
O chamado baby blues atinge mais de 50% das mães na primeira gestação, manifestando-se como uma melancolia leve que costuma surgir na segunda semana pós-parto. Já a depressão pós-parto é uma condição mais grave, caracterizada pelo sentimento de incapacidade de cuidar do filho e pelo isolamento, demandando acompanhamento psiquiátrico e medicação.
Além da saúde mental, a amamentação é apontada pelas médicas como um grande desafio, longe do mito de ser um processo puramente simples e intuitivo.
“Na prática não é tão natural assim, porque a gente depende de uma junção de chave e fechadura: juntar a boca do bebê com o mamilo e aquilo fazer uma conexão que funcione”, pontua Karina, destacando que o aleitamento exclusivo é recomendado até os 6 meses e de forma complementar até os 2 anos.
“CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” será exibido neste sábado, 5 de setembro, às 19h30, na CNN Brasil.
Fonte:CNN Brasil
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