Ex-governador mexicano detido em megaoperação contra contrabando de combustível
Ex-governador mexicano Ernesto Ruffo Appel é preso em Ensenada, Baixa Califórnia, em investigação de alta complexidade sobre contrabando de combustível. O post Ex-governador mexic...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 17/07/2026 às 15:35

A Promotoria-Geral da República (FGR) do México realizou uma operação de grande impacto nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, resultando na prisão do ex-governador da Baixa Califórnia, Ernesto Ruffo Appel, de 74 anos. A detenção ocorreu em Ensenada e faz parte de uma complexa investigação que apura o envolvimento de Ruffo com organização criminosa e um vasto esquema de contrabando de combustível, conhecido localmente como “huachicol fiscal”. O termo se refere à prática ilegal de roubo e revenda de gasolina e diesel em larga escala, um problema persistente no país.
Ernesto Ruffo Appel, figura política de destaque que governou a Baixa Califórnia entre 1989 e 1995, foi conduzido algemado para uma unidade da FGR em Tijuana. A ação marca um novo capítulo na luta contra a criminalidade organizada no México e levanta questões sobre as ramificações de um dos maiores desafios econômicos e de segurança do país.
Prisão de Ernesto Ruffo e o elo com a Ingemar
A operação que culminou na prisão do ex-governador não se limitou a ele. Agentes da Secretaria de Segurança também detiveram Ricardo Thompson Navarro, sócio da empresa Ingemar, em Ensenada. A Ingemar, fundada por Ruffo, está sob os holofotes da investigação e seu envolvimento é considerado crucial para desvendar a extensão do esquema. O Registro Nacional de Detenções confirmou que Thompson Navarro permanece sob custódia da FGR, indicando a seriedade das acusações.
A ligação da Ingemar com o contrabando de combustível ganhou destaque após uma megaoperação realizada em julho de 2025, no estado de Coahuila. Na ocasião, autoridades mexicanas apreenderam impressionantes 15,5 milhões de litros de combustível e 129 caminhões-tanque, em uma ação classificada pela Secretaria de Segurança como a maior apreensão do tipo desde o início do governo de Claudia Sheinbaum. Dias após a operação, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, confirmou publicamente que a Ingemar estava entre as empresas investigadas, solidificando a suspeita sobre suas atividades.
Repercussão política e o histórico do ex-governador
A prisão de Ernesto Ruffo Appel gerou imediata repercussão no cenário político mexicano. O Partido da Ação Nacional (PAN), ao qual Ruffo pertence, emitiu uma nota na quinta-feira, expressando confiança no ex-governador e afirmando que ele “esclarecerá os fatos de que é acusado”. A legenda também criticou a atuação das autoridades, sugerindo uma possível seletividade na aplicação da lei. O comunicado do PAN destacou: “É impossível não notar que essa prisão ocorre em meio à crescente atenção pública em torno do caso de Marina del Pilar […] A lei não pode ser aplicada com critérios distintos com base no indivíduo ou no partido a que ele pertence.”
A trajetória de Ruffo na política mexicana é notável. Ele fez história em 1989 ao se tornar o primeiro governador eleito da Baixa Califórnia por um partido diferente do Partido Revolucionário Institucional (PRI) em 60 anos, quebrando uma longa hegemonia. Posteriormente, serviu como senador pela Baixa Califórnia de 2012 a 2018 e como deputado federal de 2018 a 2021, consolidando uma carreira de relevância no cenário político nacional.
O “huachicol fiscal” e o combate ao contrabando de combustível
O caso de Ernesto Ruffo Appel se insere em um contexto mais amplo de combate ao contrabando de combustível no México, um fenômeno que afeta profundamente a economia e a segurança do país. Durante o governo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), investigações revelaram que alfândegas no estado de Tamaulipas se tornaram pontos cruciais para o esquema, com militares e integrantes da Marinha supostamente recebendo pagamentos para facilitar a entrada ilegal de combustível proveniente dos Estados Unidos.
A Rede de Controle de Delitos Financeiros (FinCEN) identificou que a maior parte das centenas de operações suspeitas registradas, avaliadas em impressionantes US$ 7 bilhões no último ano, concentrava-se nas cidades de Tamaulipas, na fronteira com o Texas. Esse cenário sublinha a complexidade e a profundidade do problema do contrabando de combustível, que envolve não apenas grupos criminosos, mas também setores do aparato estatal, tornando a investigação da FGR um passo importante na tentativa de desmantelar essas redes. Para mais informações sobre o combate ao crime organizado no México, você pode consultar a fonte oficial da Promotoria-Geral da República: www.gob.mx/fgr.
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