CEARÁNOTÍCIAS24H

O portal da verdade
Plantão
Ceará / 06.08.2026

Estudo aponta que brasileiros envelhecem 10 anos antes dos europeus

Um estudo que comparou o envelhecimento funcional de idosos no Brasil e na Europa revelou uma diferença significativa entre as duas populações. De acordo com a pesquisa, os brasile...

person

POR CEARÁ AGORA

Publicado em 06/08/2026 às 10:19

Estudo aponta que brasileiros envelhecem 10 anos antes dos europeus
© FONTE: Ceará Agora

Um estudo que comparou o envelhecimento funcional de idosos no Brasil e na Europa revelou uma diferença significativa entre as duas populações. De acordo com a pesquisa, os brasileiros começam a apresentar perda da capacidade de realizar atividades do dia a dia com autonomia, em média, dez anos antes dos europeus. Enquanto esse declínio costuma ocorrer por volta dos 80 anos na Europa, no Brasil ele se inicia, em média, aos 70 anos.

O trabalho foi publicado nesta quarta-feira (5) na revista científica PLOS One. Para os pesquisadores, os resultados reforçam o impacto das desigualdades sociais, econômicas e das diferenças no acesso aos serviços de saúde sobre o processo de envelhecimento, além de destacar a necessidade de políticas voltadas à prevenção e ao cuidado da população idosa.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade Central da Catalunha, na Espanha, em parceria com a Universidade Nove de Julho (Uninove), no Brasil. Os pesquisadores utilizaram como referência o Icope, instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para medir a chamada capacidade intrínseca dos idosos. A metodologia avalia aspectos como mobilidade, cognição, vitalidade, saúde mental e funções sensoriais, permitindo analisar o nível de independência e funcionalidade ao longo do envelhecimento.

Envelhecimento mais acelerado

Os resultados mostram que o envelhecimento ocorre de forma distinta entre brasileiros e europeus. Enquanto os idosos da Europa apresentam uma perda funcional gradual, no Brasil esse processo acontece de forma mais precoce e acelerada.

Segundo os autores, fatores como escolaridade, renda, acesso aos serviços de saúde e oportunidades para prevenção de doenças ajudam a explicar essa diferença entre as populações.

Entre os indicadores associados à preservação da capacidade funcional, a força de preensão manual — medida da força exercida ao apertar um objeto com a mão — apareceu como um dos principais fatores de proteção em ambos os grupos. A manutenção da força muscular esteve relacionada a um menor risco de perda da independência, reforçando a importância da prática regular de atividades físicas e de ações voltadas ao ganho e à preservação da massa muscular ao longo da vida.

No caso dos brasileiros, outro indicador ganhou destaque: a velocidade da caminhada. O estudo aponta que esse parâmetro pode ser um instrumento simples, de baixo custo e eficiente para identificar precocemente idosos com maior risco de declínio funcional.

Saúde mental

A pesquisa também analisou a influência da saúde mental no envelhecimento. Entre os europeus, a depressão esteve associada a uma perda mais acentuada da capacidade funcional. Já a percepção de piora da memória apresentou impacto semelhante nos dois grupos, indicando que esse pode ser um importante sinal de alerta para identificar idosos em situação de maior vulnerabilidade, independentemente das condições socioeconômicas.

Com base nos resultados, os pesquisadores defendem estratégias diferentes para cada realidade. No Brasil, a prioridade deve ser ampliar as ações preventivas desde fases mais precoces da vida, reduzir as desigualdades sociais, fortalecer a atenção à saúde e ampliar as redes de apoio à população idosa. Nos países europeus, onde os idosos chegam à velhice em melhores condições funcionais, o foco deve permanecer na manutenção da autonomia e na prevenção da progressão do declínio funcional.

Informe Publicitário Publicidade Rodapé