Especialista desmistifica “Clube das 5 da Manhã” e alerta: sacrificar o sono não é receita para o sucesso
Acordar às 5 horas da manhã virou um dos principais símbolos de produtividade e sucesso nas redes sociais e em livros de desenvolvimento pessoal. No entanto, especialistas em sono ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 29/07/2026 às 14:38
Acordar às 5 horas da manhã virou um dos principais símbolos de produtividade e sucesso nas redes sociais e em livros de desenvolvimento pessoal. No entanto, especialistas em sono afirmam que esse hábito não tem respaldo científico para a maioria das pessoas e pode trazer prejuízos à saúde física e mental.
Em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, o psicólogo Alfredo Rodríguez, professor especializado em sono e bem-estar no trabalho e autor do livro Dormir para Viver: A Ciência do Descanso na Era da Fadiga, classificou a prática como uma tendência passageira impulsionada pela ideia de que é possível ganhar produtividade reduzindo as horas de descanso.
Segundo Rodríguez, acordar tão cedo transmite uma falsa sensação de controle sobre o dia, mas, para quem não possui predisposição genética para ser extremamente matutino, a rotina interfere no funcionamento natural do organismo.
“É uma moda passageira. Acordar às cinco da manhã nos dá a sensação de que estamos à frente dos outros, mas, do ponto de vista biológico, isso faz pouco sentido para a maioria das pessoas”, afirmou.
Para ilustrar os riscos de trocar horas de sono por mais tempo de trabalho, o especialista utiliza uma metáfora: “É como vender o carro para comprar gasolina.”
Menos sono, mais prejuízos
O psicólogo alerta que a privação de sono compromete funções essenciais do organismo. Entre os principais efeitos estão:
- redução da capacidade de tomar decisões e avaliar riscos;
- aumento da irritabilidade e da dificuldade para controlar as emoções;
- perda de habilidades sociais e menor sensibilidade na convivência com outras pessoas.
Rodríguez ressalta ainda que o prejuízo é cumulativo. Processos importantes, como a eliminação de toxinas do cérebro durante o sono, não são totalmente recuperados apenas dormindo mais nos fins de semana.
O que realmente melhora a qualidade de vida
Em vez de estabelecer um horário rígido para acordar, o especialista recomenda hábitos que respeitem o relógio biológico:
- manter horários regulares para dormir e acordar;
- diminuir a exposição à luz e evitar telas antes de dormir;
- estabelecer limites para o trabalho e o uso de dispositivos eletrônicos durante a noite.
Para Rodríguez, a sociedade precisa mudar a forma de enxergar o descanso.
“O sono não é uma interrupção da vida. Dormir bem, alimentar-se adequadamente e praticar atividade física são os três pilares da saúde. É o descanso que permite ter uma vida saudável e produtiva”, conclui.