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Ceará / 27.10.2026

Emprego que transforma: oportunidades abrem caminhos e mudam histórias de vida

Aos 21 anos, Marlon Jackson Batista já aprendeu que um emprego pode significar muito mais do que o salário depositado no fim do mês. Morador do bairro Parangaba, em Fortaleza, ele ...

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POR O ESTADO

Publicado em 27/10/2026 às 09:47

Emprego que transforma: oportunidades abrem caminhos e mudam histórias de vida
© FONTE: O Estado

Aos 21 anos, Marlon Jackson Batista já aprendeu que um emprego pode significar muito mais do que o salário depositado no fim do mês. Morador do bairro Parangaba, em Fortaleza, ele divide a casa e a vida com a irmã. Os pais já não estão mais aqui, desde então, restaram os dois, um cuidando do outro e tentando fazer caber no orçamento as despesas e os planos para o futuro. Foi nesse caminho que surgiu uma oportunidade como jovem aprendiz do curso de gastronomia do Senac Ceará, acompanhada de qualificação profissional. Agora, enquanto conclui um curso, Marlon alimenta um desejo simples e decisivo: conseguir permanecer no mercado como auxiliar de cozinha.

“Isso mudou muito na minha vida e da minha família. Financeiramente é fundamental”, resume. Em poucas palavras, Marlon traduz aquilo que as estatísticas nem sempre conseguem mostrar. Por trás de cada vaga aberta existe uma história particular. Há contas esperando pagamento, famílias dependendo daquela renda, projetos adiados e, muitas vezes, uma autoestima que também precisa ser reconstruída. Ter trabalho significa receber salário, mas significa ainda poder escolher, planejar e sustentar a própria vida.

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Histórias como a dele estiveram no centro da Feira da Empregabilidade promovida pelo Senac Ceará nos dias 20 e 21 de outubro. A iniciativa aproximou candidatos e empresas em unidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá, Maranguape, Aquiraz e Iguatu. Mais de 200 vagas foram disponibilizadas em áreas como comércio, saúde, gestão, turismo, conservação, zeladoria e segurança, com a participação de mais de 30 empresas. Nesta edição foram 2.005 pessoas atendidas.

Ser ponte
A proposta foi alcançar diferentes momentos da vida profissional. De um lado, jovens em busca do primeiro registro na carteira. De outro, trabalhadores que precisam retornar ao mercado. O encontro integrou o Circuito da Empregabilidade e reuniu serviços da Rede Senac Oportunidades e Carreiras, da plataforma de carreira da instituição e do Programa de Aprendizagem Profissional.

Para a coordenadora do Programa, Dane Gomes, a dimensão de uma contratação vai além de quem assina o contrato. “Não é só um emprego, mas são famílias sendo impactadas, pessoas sendo transformadas”, afirma. Segundo ela, muitos candidatos chegam sem perspectivas e encontram na aproximação direta com as empresas a possibilidade de reconstruir seus caminhos. A ideia de servir como ponte entre quem procura trabalho e quem precisa contratar está na origem da feira. “O nosso intuito é fazer essa conexão, tanto em Fortaleza quanto no interior”, explica Dane.

Essa distância também faz parte da rotina de Cláudio Sousa. Motorista de aplicativo e responsável pela renda da família, ele tem um filho adolescente e busca uma oportunidade com carteira assinada na área elétrica. A qualificação profissional tornou-se, para ele, uma aposta por maior previsibilidade. “A minha ideia é me realocar no mercado para ter mais segurança. Acredito que essa oportunidade pode ajudar a mudar a minha vida”, conta.

Marlon e Cláudio representam faces diferentes de um mercado de trabalho que, no Ceará, vem ampliando o número de empregos formais. Em agosto, dado mais recente disponibilizado pelo Novo Caged, o Estado abriu 9.295 vagas com carteira assinada, resultado de 64.008 admissões e 54.713 desligamentos. Foi o maior saldo mensal registrado pelo Ceará em 2026. No País, foram criados 165.827 postos formais no mesmo período.

O desempenho cearense foi puxado principalmente pelos serviços (6.459), seguido pela construção (1.897). Dentro dos serviços, administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais responderam por 2.897 oportunidades. O comércio criou outras 1.193 vagas, enquanto informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas somaram 1.136 postos.

Economia que contrata
Os números ajudam a dimensionar uma economia que contrata, mas não eliminam um dos grandes desafios do mercado: fazer a vaga chegar à pessoa certa. Empresas podem procurar trabalhadores ao mesmo tempo em que milhares de pessoas permanecem em busca de uma oportunidade. É nesse intervalo entre oferta e procura que iniciativas de empregabilidade como a do Senac atuam.

O conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Thiago Holanda, explica que eventos desse tipo podem reduzir o chamado desemprego friccional, situação em que vagas existem, mas empresas e candidatos enfrentam dificuldades para se encontrar. “Ao reunir empregadores e profissionais em um mesmo ambiente, as feiras diminuem essa distância e ampliam as chances de inserção, especialmente para quem procura o primeiro emprego ou tenta retornar ao mercado”.

Para a especialista em Recursos Humanos Isabela Edson, o efeito também passa pelas conexões construídas durante esses encontros. “Promover a empregabilidade é, acima de tudo, abrir caminhos e transformar possibilidades em oportunidades reais”, afirma. A especialista ressalta que o emprego possui uma dimensão que não cabe apenas nos indicadores econômicos. “Representa dignidade, pertencimento, autonomia e desenvolvimento humano”, diz. Quando empresas e instituições aproximam talentos das oportunidades, acrescenta, o resultado alcança tanto a economia quanto às perspectivas individuais de futuro.

É justamente aí que uma estatística como “9.295 novas vagas” deixa de ser apenas um número. No caso de Marlon, é também a possibilidade de dois irmãos seguirem juntos. Aos 21 anos, ele ainda está no começo da vida profissional, mas já sabe quanto uma oportunidade pesa dentro de casa. O emprego movimenta o consumo, amplia a arrecadação e faz a economia girar. Mas, antes de qualquer indicador, coloca comida na mesa, paga aluguel, permite fazer planos e devolve às pessoas a possibilidade de olhar para o mês seguinte com menos medo. É por isso que, quando uma vaga encontra alguém como Marlon, não é apenas o mercado de trabalho que avança. Uma família inteira pode começar a caminhar em outra direção.

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