Em carta golpista, Flávio Bolsonaro se diz “presidente eleito” do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) se disse “presidente eleito” do Brasil após fugir para os Estados Unidos, segundo carta com tom golpista divulgada, nessa quarta-feira (29), por ...
POR O ESTADO
Publicado em 29/10/2026 às 06:03
O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) se disse “presidente eleito” do Brasil após fugir para os Estados Unidos, segundo carta com tom golpista divulgada, nessa quarta-feira (29), por aliados e atribuída ao candidato derrotado nas urnas para Lula (PT) no domingo (25). “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmou.
Na primeira versão, a carta foi divulgada com o antigo brasão do Brasil, vigente de 1889 a 1968. Na sequência, aliados compartilharam novo documento com o brasão correto. O senador recuou e se classificou como “líder do Brasil” e não como “presidente eleito”.
Segundo a carta, o senador anuncia que pretende liderar a oposição brasileira do exterior e volta a dizer, sem provas, que houve fraude na eleição, além de criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e agradecer ao presidente americano, Donald Trump, por acolher a família dele no país.
Flávio desembarcou em Miami, nessa quarta-feira, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião privado que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do senador no âmbito de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O parlamentar nega irregularidades.
A declaração golpista representa uma reviravolta, porque Flávio afirmou, na segunda-feira (26), que desistiria de pedir a anulação da eleição e que não fugiria do país. Na carta, Flávio afirma que não pretendia deixar o país, mas que decidiu viajar para escapar do que descreveu como uma perseguição política. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança.”
Também agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela “coragem, senso de justiça e legalidade”. O senador passou pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos. Flávio criticou a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação no segundo turno. Ele acusou o STF de interferir nas competências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirmou que a mudança teria beneficiado Lula, contrariando os dados que apontam para uma diferença mínima na quantidade de votos. “A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, declarou.
Trump
O presidente americano afirmou que não se envolverá na turbulência política do Brasil após Flávio publicar a carta. “Eu não vou comentar sobre isso, mas eu sei que nós autorizamos a entrada dele no país. Então, veremos”. Porém, o republicano voltou a criticar, pela quarta vez, o segundo turno das eleições no Brasil. “Não vou me envolver, mas isso foi uma eleição muito estranha. Isso é certeza.”
Deputados democratas dos Estados Unidos criticaram o governo Trump pela decisão de conceder visto a Flávio e cobraram explicações sobre a possível participação da administração na saída do congressista do Brasil. Os democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes americana também criticaram a decisão, traçando um paralelo entre o tratamento oferecido ao senador e as restrições impostas pela administração americana a pessoas que buscam proteção contra conflitos armados.
Escolha legítima
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reafirmou nessa quarta-feira a escolha legítima dos eleitores na votação de domingo. Sem citar a carta golpista de Flávio, o ministro disse que o segundo turno das eleições ocorreu “dentro da mais absoluta normalidade”. “Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”, disse.
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