Editorial: A barbárie não pode vencer o futebol
O episódio revelado pelo presidente do Ceará Sporting Club, João Paulo Silva, ultrapassa qualquer limite aceitável de convivência civilizada. O envio de um pacote com uma bomba e u...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 26/06/2026 às 09:47
O episódio revelado pelo presidente do Ceará Sporting Club, João Paulo Silva, ultrapassa qualquer limite aceitável de convivência civilizada. O envio de um pacote com uma bomba e uma carta de ameaças à filha do dirigente não é apenas um ataque pessoal: é a expressão mais perversa e covarde da intolerância e do ódio travestidos de paixão esportiva.
Que tipo de sociedade estamos construindo quando filhos passam a ser usados como instrumento de vingança ou pressão? Até onde chegou a degradação moral de quem acredita que a violência é um caminho legítimo para alcançar objetivos políticos ou esportivos?
É inadmissível que disputas políticas, divergências administrativas ou críticas à gestão de um clube sejam levadas para o terreno da intimidação contra familiares. O futebol pode e deve ser espaço de cobrança, debate e divergência. O que jamais pode ser tolerado é a tentativa de impor medo, especialmente atingindo inocentes.
Nenhuma insatisfação justifica ameaças. Nenhuma divergência autoriza o terror psicológico. Nenhuma paixão clubística pode servir de escudo para práticas criminosas.
O futebol cearense, reconhecido pela paixão de suas torcidas, não merece ser manchado por atitudes criminosas. Quem utiliza o esporte para espalhar medo não é torcedor: é criminoso. E criminosos devem ser tratados como tal.
A democracia, dentro e fora do futebol, exige respeito, civilidade e limites. Quando esses limites são ultrapassados e inocentes são atingidos, não há espaço para neutralidade. Há apenas um lado possível: o da indignação, da justiça e da defesa intransigente da vida e da dignidade humana.
Não se pode normalizar a barbárie. Não se pode aceitar que dirigentes convivam com ameaças constantes ou que familiares sejam transformados em alvos. O silêncio diante desses atos é cumplicidade.
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) tem a responsabilidade de identificar e punir exemplarmente os autores desse crime. A impunidade, nesse caso, representaria um convite para novos episódios de violência.
Sistema Ceará Agora de Comunicação