Economia Prateada ganha espaço no empreendedorismo e já representa 15% da população economicamente ativa do Ceará
Você ouviu falar na economia prateada? Esse nicho econômico movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil e reúne consumidores com idades superiores a 50, 60 anos ávidos por v...
POR O ESTADO
Publicado em 20/07/2026 às 08:33
Você ouviu falar na economia prateada? Esse nicho econômico movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil e reúne consumidores com idades superiores a 50, 60 anos ávidos por viagens, bem-estar e saúde, educação financeira e tecnologia da informação adaptada. Além disso, também representa um potencial empreendedor que só cresce, seja com negócios próprios ou ainda trabalhando na informalidade. Dados do Sebrae apontam que o Brasil soma 4,5 milhões de empreendedores inseridos nessa economia, um aumento de quase 60% na última década.
No Ceará, segundo estudos do Sebrae, são mais de 171 mil empreendedores nessa cadeia econômica, representando quase 15% de toda a população ativa do Estado. Desse total, 90% comandam seus negócios há mais de dois anos e possuem rendimento médio superior a 40% quando comparado com empreendedores mais jovens.
Em Fortaleza, o Senium Longevidade Saudável acompanha a trajetória da economia prateada, por meio do casal Mario Moura e Tereza Furtado que explica que permanecer no mercado é necessário e tem objetivo. “A permanência dos profissionais com mais de 50 ou 60 anos no mercado responde a uma combinação de necessidade financeira e busca por propósito. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, a aposentadoria tradicional deixou de ser o ponto final da carreira”.
Com longas carreiras na iniciativa privada e no serviço público, Tereza e Mário falaram sobre os principais obstáculos para os 50, 60 anos mais. “Os desafios transitam entre o preconceito corporativo, a necessidade de atualização técnica e as barreiras ao empreendedorismo”. Para esse último quesito, a dificuldade para acessar linhas de crédito, a velocidade da atualização tecnológica, os processos de requalificação, além das barreiras de contratação estão entre os obstáculos.
Mais preconceito
Quando perguntados sobre preconceitos, Mario Moura e Tereza Furtado foram taxativos. “Sim existe e ele tem nome: etarismo. O preconceito etário nas empresas é uma das barreiras mais silenciosas e difíceis de combater”, afirmaram.
Eles também apresentaram evidências que mostram que 94% das empresas brasileiras não possuem metas de inclusão desses profissionais em seus programas de diversidade. “O mercado frequentemente replica estereótipos ultrapassados de que o profissional maduro é ‘caro demais’, inflexível às mudanças ou incapaz de lidar com as ferramentas digitais”, lamentaram. Para o casal, esse teto invisível empurra milhares de profissionais altamente qualificados para fora do regime CLT, tornando o empreendedorismo sênior uma alternativa de sobrevivência profissional e não apenas uma escolha.
A absorção do mercado
Com um mercado cada vez mais latente, a economia prateada se consolida pelo consumo e pelas dinâmicas de trabalho independentes. “As empresas de turismo, saúde, bem-estar e tecnologia começaram a perceber que quem tem o poder aquisitivo e o tempo para consumir são os seniores. No mercado de trabalho, a absorção tem ocorrido através da economia de serviços, consultorias e pelo forte apoio do terceiro setor”, disse o casal.
Tereza e Mário também destacaram que instituições como Sebrae estruturaram programas focados exclusivamente no Empreendedorismo Sênior, alcançando a marca de quase 1 milhão de atendimentos, principalmente em áreas como mentoria, posições de conselho, treinamento e coordenação.
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