E-commerce coloca Ceará na mira de gigantes globais
Movimentos de H&M e Shopee reforçam potencial logístico do Estado, com impactos na oferta de produtos, preços e velocidade das entregas The post E-commerce coloca Ceará na mir...
POR O ESTADO
Publicado em 03/09/2026 às 01:01
A chegada de grandes players como a H&M, gigante sueca de moda, e o movimento da Shopee para criar um Centro de Distribuição, em Itaitinga, mostram que o mercado consumidor cearense está no radar do mundo.
Essa posição estratégica faz sentido. Detentor da 5ª maior demanda por e-commerce do Brasil, atrás somente de Santa Catarina, que liderou o crescimento com 24%, Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%) e Distrito Federal (10%), o Ceará vem se consolidando como rota habitual do comércio de cargas. “Somando-se ao acordo do Mercosul com a União Europeia, o volume de mercado é de US$ 22 trilhões. Como somos uma rota natural para a entrada da União Europeia no Brasil, a expectativa é de que as grandes plataformas de logística estejam se antecipando a esse movimento estratégico de longo prazo”, explica Nertan Rabelo, especialista em varejo, centros comerciais e galpões logísticos e diretor-executivo da Auram Desenvolvimento Imobiliário.
Outro fator importante observado por Rabelo é a mudança do eixo logístico do país. “Eu já falo há muitos anos que o futuro da logística no Brasil é a descentralização para regiões de média densidade populacional, pois o custo de ocupação é menor e ainda temos o bônus de um menor custo por quilômetro rodado entre o eixo Sudeste do país e a região Nordeste”.
Apesar do olhar estratégico dessas companhias, o especialista não vê uma injeção plena de receita na economia cearense. “Não acredito que ocorra uma injeção de receita de forma perene, principalmente na formação de massa salarial para as grandes empresas de e-commerce. Hoje, a automação e a robotização diminuem bastante a necessidade de mão de obra direta”, detalhou.
Por outro lado, Nertan Rabelo destaca que a grande vantagem é o efeito cascata sobre as micro e pequenas empresas, que poderão utilizar as plataformas de fulfillment para vender e acessar um mercado muito maior, com as possibilidades de importação e exportação, que poderão valorizar as cadeias produtivas locais, com um custo menor de aquisição de mercadorias ou matérias-primas.
Consumidor final
O jornal O Estado quis entender como o consumidor final vai sentir no bolso essa expansão comercial que pode trazer mais concorrência, especialmente pela busca para conquistar e fidelizar o cliente na era do “frete grátis”. “Quando uma plataforma de e-commerce está mais próxima do consumidor final, aumentam as possibilidades de ganhos de eficiência logística e, consequentemente, de redução dos custos repassados ao consumidor final”, afirma o especialista.
Rabelo também ressalta a variedade de produtos e fornecedores. “Outro grande impacto é a maior oferta de fornecedores e a diversificação do mix de produtos. Existe mercado para todo tipo de público, e essa oxigenação da oferta facilita a percepção de ganho de preço para o consumidor final”.
Para ele, esse conjunto de fatores garantirá que o consumidor final tenha experiências positivas. “O consumidor final vai sentir de forma positiva. As ferramentas de escolha estão ficando cada vez mais sofisticadas e adaptadas ao gosto do consumidor. E essa escolha agora vai passar também pelo crivo do last mile, ou seja, o tempo entre a compra e a entrega será ainda mais curto”, disse Nertan Rabelo.
Termos
Fulfillment significa, em tradução literal do inglês”cumprimento”, “preenchimento” ou “realização”. No contexto de negócios e comércio eletrônico, o termo descreve o processo logístico completo de atendimento a pedidos.
Last mile (ou última milha) é a etapa final da entrega de um produto, que vai do centro de distribuição ou depósito até as mãos do consumidor final.
The post E-commerce coloca Ceará na mira de gigantes globais appeared first on O Estado CE.