Duas funcionárias de creche são desligadas após morte de bebê de 1 ano
Duas funcionárias da creche onde um bebê de 1 ano e 4 meses morreu foram desligadas das funções, informou a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo. Sem supervisão de a...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 28/07/2026 às 14:52
Duas funcionárias da creche onde um bebê de 1 ano e 4 meses morreu foram desligadas das funções, informou a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo. Sem supervisão de adultos, Abdoulaye Dieng prendeu a cabeça entre uma grade e a parede na última quarta-feira (22/7).
Em nota, a pasta informou que a sala na creche Luz do Brás foi interditada após o ocorrido e passa por análise técnica. Um procedimento administrativo foi instaurado para apurar os fatos.
“Caso sejam confirmadas irregularidades, serão adotadas as providências cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização parceira responsável pela unidade”, informou a secretaria.
Conforme publicado pelo Metrópoles, a Polícia Civil investiga a conduta de cinco funcionários: a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro profissional. A função dos funcionários que foram afastados não foi informada.
Bebê morto em creche
- Na manhã de quarta-feira (22/7), um bebê de 1 ano e 4 meses participava de uma atividade recreativa na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, quando colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede.
- Segundo o boletim de ocorrência, o bebê permaneceu com a cabeça presa por aproximadamente sete minutos até ser retirado por funcionários da instituição.
- Após ser resgatado, o bebê foi levado para a UPA Mooca, onde recebeu atendimento médico. Apesar das tentativas, a morte foi confirmada na unidade de saúde.
- A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirmou que presta assistência à família da criança, disse colaborar com a apuração e informou que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). A Polícia Civil requisitou perícia ao Instituto de Criminalística (IC), responsável por analisar o local do acidente, e exames ao Instituto Médico Legal (IML), que devem auxiliar no esclarecimento das circunstâncias da morte.
Aniversário de diretora
Segundo o advogado da família, Erson de Oliveira, Abdoulaye Dieng estava sem a supervisão de funcionários quando ficou com a cabeça presa entre uma grade e uma parede. Ao Metrópoles, Erson afirmou que os servidores da unidade participavam de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora no momento do acidente.
De acordo com o advogado, a comemoração acontecia no refeitório da creche e reunia funcionários da unidade. “Juntou todos os funcionários e largaram as crianças à própria sorte”, afirmou ele. Teria sido durante esse período que Abdoulaye entrou em uma sala utilizada para atividades como aulas de ballet e colocou a cabeça no espaço entre uma estrutura metálica instalada em frente a um espelho e a parede, onde ficou preso por cerca de seis minutos até ser retirado por funcionários da creche.
Mensagens mostram como creche avisou pai de bebê
Mensagens enviadas por funcionários da creche Luz do Brás ao pai de Abdoulaye mostram que a família foi informada apenas de que o bebê havia “passado mal”, sem qualquer menção à gravidade do acidente. Às 9h18, o número da Creche Luz do Brás enviou a seguinte mensagem ao pai: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Logo em seguida, houve uma ligação de cerca de 30 segundos entre a unidade e o responsável pela criança.
Na sequência, às 9h19, uma nova mensagem foi enviada informando apenas o destino do atendimento: “UBS Mooca, UBS Mooca.” Cerca de 20 minutos depois, às 9h38, o mesmo contato escreveu “Olá”.
Às 9h44, uma nova mensagem foi encaminhada perguntando: “Olá, vocês estão indo para a UBS?”, seguida de outra ligação telefônica.
Segundo Erson de Oliveira, advogado da família, as mensagens transmitiram aos pais a impressão de que o quadro não era tão grave. “Eles mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava passando por um atendimento médico”, afirmou.
De acordo com o advogado, a forma como a família foi comunicada também será levada em consideração durante a investigação.