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Ceará / 07.06.2026

Doação de órgãos oferece nova chance a milhares de pacientes

A doação e o transplante de órgãos funcionam como uma engrenagem complexa que corre contra o relógio. Mais do que a burocracia e a complexidade que existem dentro desse procediment...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 07/06/2026 às 20:00

Doação de órgãos oferece nova chance a milhares de pacientes
© FONTE: Ceará Agora

A doação e o transplante de órgãos funcionam como uma engrenagem complexa que corre contra o relógio. Mais do que a burocracia e a complexidade que existem dentro desse procedimento cirúrgico, há, ainda, um gesto profundo, sensível, à espera do sim de uma família que, no pior dia da sua vida, pode acabar salvando outras. Hoje, o Brasil se destaca por abrigar um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo, financiado majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, existem desafios a serem superados.

O nefrologista, cirurgião e coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Santa Lúcia, Elber Rocha, destaca que o maior mérito nacional foi construir uma política pública regulada, com lista única e critérios estritamente técnicos, garantindo acesso universal independentemente da condição econômica do paciente. Contudo, para ele, o sistema enfrenta o desafio da heterogeneidade institucional e geográfica. 

Enquanto o Brasil registra cerca de 18 doadores por milhão de habitantes — distante de líderes globais como a Espanha, que alcança médias de 45 a 48 —, o acesso real ao procedimento varia drasticamente entre diferentes estados brasileiros. “A nível nacional, não tem um único sistema de transplantes funcionando de forma homogênea. Temos lugares de excelência e regiões com severas dificuldades de notificação, diagnóstico de morte encefálica e logística”, pontua o profissional.

O que é?

O transplante de órgãos consiste na substituição de um órgão doente ou disfuncional por um outro saudável, proveniente de um doador vivo ou falecido. Trata-se da principal alternativa terapêutica para pacientes com insuficiência terminal de órgãos vitais, visando restabelecer funções biológicas essenciais e salvar vidas.

Destaque mundial

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 31 mil transplantes de órgãos e tecidos, em 2025. Um recorde histórico, muito impulsionado pela acessibilidade fornecida por meio do SUS. 

Fila de espera

Apesar dos avanços, muitas famílias ainda aguardam na fila de espera por um órgão. São mais de 80 mil brasileiros, sendo que 48 mil esperam por órgãos sólidos (como rins, fígados e corações), enquanto mais de 32 mil aguardam por transplantes de córnea.

Rotina exaustiva

Para Silvia Casas, diretora médica de transplantes na Werfen da América Latina, a jornada de quem aguarda um órgão é marcada por uma severa carga física e emocional. “Para o corpo médico, o tempo em lista exige uma conduta clínica de alta vigilância para manter o paciente transplantável, controlando ativamente infecções, anemias e doenças cardiovasculares que possam comprometer a futura cirurgia.”

Tipos de doadores

Os transplantes podem ser realizados a partir de dois tipos de doadores: o doador falecido, que consiste em pacientes hospitalizados com quadro confirmado de morte encefálica — geralmente decorrente de AVC ou traumatismo craniano — aptos a doar órgãos como coração, pulmões, fígado e rins, além de tecidos; e o doador vivo, que compreende qualquer pessoa juridicamente capaz que, após uma rigorosa avaliação médica e imunológica, concorde em doar um de seus rins ou parte do fígado e do pulmão para parentes de até quarto grau, sendo exigida autorização judicial em casos de doação para não parentes. 

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