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Ceará / 03.07.2026

Desperdício de frutas e verduras em feiras e mercados será quantificado

Diariamente, grandes volumes de frutas e verduras são descartados ou ficam impróprios para venda, em feiras livres e polos de abastecimento em Fortaleza e em outras cidades. Esse c...

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POR O ESTADO

Publicado em 03/07/2026 às 05:12

Desperdício de frutas e verduras em feiras e mercados será quantificado
© FONTE: O Estado

Diariamente, grandes volumes de frutas e verduras são descartados ou ficam impróprios para venda, em feiras livres e polos de abastecimento em Fortaleza e em outras cidades. Esse cenário contrasta com a busca por alimento pelas populações vulneráveis e gera desafios de saúde pública e insegurança alimentar. A Prefeitura local não tem noção exata do tamanho desse desperdício.
Há um projeto para que os resíduos orgânicos gerados em feiras e mercados públicos da cidade sejam quantificados. O trabalho será desenvolvido, segundo o titular da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Abreu Machado, no âmbito do projeto Biofor, com foco na caracterização gravimétrica e qualitativa desses resíduos. “Essa etapa é importante porque nos permite trabalhar com dados mais precisos sobre os resíduos orgânicos gerados em feiras e mercados públicos. A partir desse diagnóstico, a Prefeitura poderá planejar soluções mais eficientes para reaproveitamento, compostagem e redução do volume destinado aos aterros”, afirma.
A agenda teve início na SCSP, na segunda-feira (29), durante reunião da qual participaram representantes do C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM).
No encontro, foram apresentados os objetivos da cooperação técnica entre o Programa Mutirão Brasil e a SCSP, além do alinhamento metodológico, da definição de responsabilidades e da validação do cronograma de trabalho.
Apesar do dia da reunião ser considerado o pontapé inicial, a data de quando irão a campo não foi divulgada. O projeto apoiará a Prefeitura no desenvolvimento de estudos para compreender melhor a quantidade e as características dos resíduos orgânicos gerados nesses equipamentos públicos.
A cooperação técnica inclui levantamento quantitativo e qualitativo dos resíduos orgânicos, apoio ao planejamento de uma futura estrutura de tratamento biológico, identificação do potencial de recuperação de alimentos ainda aptos ao aproveitamento e elaboração de diretrizes para fortalecer a logística de coleta e a gestão de resíduos orgânicos no âmbito municipal.
De acordo com o coordenador de Limpeza Urbana da SCSP, Eduardo Palheta, o estudo ajudará a orientar decisões operacionais. “Feiras e mercados públicos têm geração constante de resíduos orgânicos, mas é preciso conhecer melhor esse volume, a composição e a dinâmica de descarte. Esse levantamento vai ajudar a Prefeitura a organizar rotas, avaliar alternativas de tratamento e estruturar ações com maior eficiência”, destaca.
A iniciativa também dialoga com os desafios climáticos das cidades. Estima-se que mais da metade dos resíduos produzidos nos municípios brasileiros seja composta por matéria orgânica. Quando enviados para aterros, esses materiais geram metano, gás que contribui para o aquecimento global.
Hélinah Cardoso, líder de engajamento do C40/GCoM, diz que o mutirão visa tirar do papel as ações climáticas para que, de fato, “a gente avance na resposta, na implementação. Abraçamos Fortaleza em projetos na área de eletromobilidade, voltado para estruturar a infraestrutura de recarga e na aquisição de ônibus elétricos, e ações para reduzir as emissões por meio da gestão de resíduos. Com o Biofor, vamos trabalhar juntos para aprimorar a iniciativa e ver como viabilizar o projeto.”
Biofor
A iniciativa tem como objetivo promover a gestão sustentável dos resíduos orgânicos provenientes de feiras livres, mercados públicos e hospitais municipais. O projeto prevê a implantação de biodigestores para a geração de biogás e biofertilizante, contribuindo para o fortalecimento da economia circular e para a redução dos impactos ambientais.
A ideia possibilitará a produção de biometano, que poderá ser injetado na rede de distribuição e utilizado no abastecimento de ônibus movidos por esse combustível. A expectativa é reduzir o volume de resíduos encaminhados ao aterro sanitário, diminuir as emissões de gases do efeito estufa e estimular a geração de empregos verdes. O programa beneficiará diretamente feirantes, cooperativas e associações de catadores, hortas comunitárias e a população em geral.

Por Elizabeth Rebouças

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