Deputados democratas cobram explicações de Trump sobre suposta ajuda à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Um grupo de parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado do governo Trump na qual cobra explicações sobre a participação da Casa Branca na...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 30/10/2026 às 13:17
Um grupo de parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado do governo Trump na qual cobra explicações sobre a participação da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e o acolhimento do parlamentar em solo norte-americano.
O documento cita que Flávio deixou o Brasil mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o cancelamento de seus passaportes por uma investigação criminal contra ele e cobra “prestação de contas” sobre uma facilitação do presidente Donald Trump para a acolhida do brasileiro e de sua família, emissão de visto para permanecer nos EUA e ajuda de funcionários do governo republicano na fuga.
O grupo de congressistas questiona ao Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio:
- Se as autoridades dos EUA tinham conhecimento prévio da ordem do STF que restringia a saída do senador do Brasil e exigia a entrega dos seus passaportes e se verificaram se a sua viagem era legal antes de prestarem apoio.
- Se o governo Trump autorizou a emissão, renovação ou aceleração de vistos para o senador e para a sua família durante o período eleitoral e se as investigações criminais em curso no Brasil foram devidamente ponderadas.
- Se existiram contatos diretos ou indiretos de funcionários do governo dos EUA com a equipe ou representantes do senador e se foi prestado auxílio logístico (como agendamentos consulares, transportes, voos ou acesso a aeroportos).
- Se o Departamento de Estado atuou em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, o controle de fronteiras (CBP) e o Departamento de Justiça relativamente às implicações legais de permitir a entrada de uma figura política estrangeira em suposta violação de uma ordem judicial.
- Se o governo norte-americano considerou o risco de sua atuação ser interpretada como interferência nos processos judiciais e na política interna do Brasil, e como respondeu a eventuais pedidos de informação das autoridades brasileiras sobre a localização de Flávio Bolsonaro.
Interesse legítimo
“O povo norte-americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, diz o documento, que cobra uma resposta escrita do departamento até 13 de novembro.
A carta é assinada por 25 parlamentares norte-americanos do partido Democrata, incluindo membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, e enviada ao Departamento de Estado dos EUA.
Flávio em fuga
- Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de retenção de passaportes após perder as eleições para a Presidência da República.
- O político é investigado em diferentes inquéritos. Entre eles, Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
- O pedido partiu da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do senador do Brasil em meio à derrota nas eleições. A solicitação foi atendida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
- A devolução não foi cumprida e, cerca de dois dias após as eleições, o senador deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano.
- A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil em meio ao risco apontado pela PF.
- Apesar disso, o Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e sua família para que eles pudessem entrar e ficar no país.
“Desgraça”
Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos fez críticas ao processo eleitoral brasileiro e chegou a levantar suspeitas de fraude do pleito, mesmo sem apresentar provas. Nessa quinta-feira (29/10), Trump chegou a dizer que as eleições no Brasil teriam sido uma “desgraça”. O republicano disse ainda que Lula teria pedido a ele que adotasse uma postura de neutralidade na disputa.
Mesmo sem reconhecer o resultado que reelegeu Lula para um quarto mandato, Trump se recusou a responder sobre quem reconhecia como “legítimo presidente do Brasil” ao ser questionado por jornalistas. Para membros do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles, os Estados Unidos têm sido cautelosos sobre o tema por não haver espaço para questionar o pleito.
Auxiliares do presidente Lula acreditam ainda que a Casa Branca está isolada ao silenciar sobre as eleições, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças e observadores internacionais, partidos brasileiros — inclusive o PL, legenda do candidato derrotado — e representantes do Legislativo e Judiciário locais.
O roteiro da fuga
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder as eleições e afirmar que não reconheceria o resultado do pleito. A fuga foi feita pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú.
Cerca de 40 minutos depois, Flávio embarcou, acompanhado da esposa e das duas filhas, em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28/10).
O jato particular foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles, com exclusividade, sua participação no plano de fuga de Flávio Bolsonaro. Trump autorizou a entrada temporária do candidato derrotado no país.
Após chegar ao país, o senador publicou uma carta na qual fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e se autointitulou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, em uma nova versão do documento, Flávio Bolsonaro rcuou e os termos foram substituídos por “líder do Brasil”.