Dívida pública sobe 10 pontos do PIB na parcial do governo Lula e atinge 81,9%, maior nível em mais de 5 anos
A dívida do setor público consolidado registrou alta de ponto percentual em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central. 🔎 ...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 31/07/2026 às 08:41
A dívida do setor público consolidado registrou alta de ponto percentual em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central. 🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Com isso, a dívida pública já subiu 10,2 pontos percentuais na parcial da atual gestão do governo Lula, visto que somava 71,7% do PIB no final de 2022. Esse também é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, quando o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB. A dívida pública também já se aproxima, com isso, do recorde histórico, atingindo justamente durante a pandemia, devido ao forte aumento de gastos públicos, de 87,7% do PIB. 💵 A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise. ➡️ Com uma dívida mais alta, impulsionada pelos gastos públicos nos últimos anos, há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país. Evolução no tempo A série histórica da dívida brasileira, pelo padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), começou a ser calculada pelo Banco Central no fim de 2001. Naquele momento, somava cerca de 67% do PIB. Os números do BC mostram que o endividamento permaneceu relativamente estável até 2014, o último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). No primeiro ano do segundo mandato de Dilma, em 2015, a dívida deu um salto de 10 pontos percentuais. Em 2016, subiu outros seis pontos percentuais. Dilma sofreu "impeachment" em agosto daquele ano. Os dados do BC mostram que a dívida continuou crescendo na gestão Temer, e atingiu seu ápice em 2020, sob Jair Bolsonaro, por conta de gastos extraordinários relacionados com a Covid-19. Apesar de mais de R$ 660 bilhões em despesas extraordinárias com a pandemia, a dívida caiu quando se considera toda gestão Bolsonaro, pois estava em 87,1% do PIB em 2019 (início do mandato), terminando 2022 (último ano do governo) em 83,9% do PIB. No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento subiu seis pontos percentuais em cerca de dois anos e meio por conta do aumento de despesas públicas, algo que tem pressionado a taxa de juros, tais como: PEC da transição: governo aprovou, ainda em 2022, a chamada PEC da transição, por meio da qual ampliou o limite para gastos públicos, permanentemente, em cerca de R$ 170 bilhões por ano. Reajuste real do salário mínimo: governo Lula retomou a política de reajustes reais do salário mínimo, ou seja, aumentos acima da inflação (limitada a 2,5%). Esse foi um dos principais fatores a elevar as despesas, visto que os benefícios previdenciários não podem ser menores que o salário mínimo. Pisos saúde e educação: governo retomou a política de que os gastos mínimos em saúde e educação são atrelados à receita, e não mais à inflação do ano anterior (essas rubricas estavam dentro do teto de gastos, do presidente Temer, até então). Pagamento de precatórios atrasados: o que injetou R$ 92,3 bilhões na economia no fim de 2023, início de 2024. A Fazenda admite que isso influenciou a aceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços. Reajustes a servidores públicos: governo retomou política de reajustes a servidores públicos, que estava represada no governo Jair Bolsonaro, com base na inflação. Houve ampla mesa de negociação com cerca de 100 categorias contempladas. Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI Lula 1 (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB; Lula 2 (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB; Dilma 1 (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB; Dilma 2 (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB; Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB; Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB; Lula 3 (2023 até junho de 2026): alta parcial de 10 pontos percentuais