Dólar e Bolsa fecham em alta com alívio das tensões no Oriente Médio
O dólar fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,112, nesta segunda-feira (27), com investidores atentos à perspectiva de negociações no Oriente Médio, mas ainda cautelosos diante da...
POR O ESTADO
Publicado em 27/07/2026 às 18:34
O dólar fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,112, nesta segunda-feira (27), com investidores atentos à perspectiva de negociações no Oriente Médio, mas ainda cautelosos diante da falta de avanços concretos para o fim do conflito.
Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 5,113, enquanto, na mínima, recuou a R$ 5,076. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,04%.
A Bolsa também encerrou o pregão em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos. O mercado doméstico foi sustentado principalmente pelas ações da Embraer, que subiu mais de 5% após o número de pedidos da empresa avançar no segundo trimestre.
O conflito no Oriente Médio continuou ditando o humor dos mercados nesta segunda-feira. No fim de semana, houve uma pausa nos bombardeios americanos após 13 noites consecutivas de ofensivas contra Teerã.
A trégua levou o Brent, referência mundial do petróleo, a recuar nesta segunda-feira. Por volta das 17h, o barril era negociado a US$ 88,05, queda de 9,03%.
O movimento pressionou as ações das petrolíferas brasileiras, especialmente as da Petrobras. Os papéis ordinários e preferenciais da estatal caíram mais de 2%.
Segundo Vitor Kayo, economista senior da Nomad, o alívio geopolítico “também tira um suporte importante que a commodity vinha dando ao real”.
O comportamento vem após o governo dos Estados Unidos sinalizar mais uma vez que pode tentar uma solução diplomática para encerrar a guerra. O Irã, contudo, negou nesta segunda-feira que negociará um acordo de paz.
Nesta segunda, Donald Trump disse que os EUA estavam mantendo “boas conversas” com o Irã e que havia uma chance de se chegar a um acordo, mas alertou que os ataques dos EUA seriam retomados caso as negociações não dessem resultado.
A queda nos preços do petróleo também repercute no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caiu para 14,045%, recuo de 12 pontos-base em relação aos 14,167% do ajuste da sessão anterior.
As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.
No mercado de ações americano, as Bolsas apresentaram desempenhos tímidos. O S&P 500 e Dow Jones avançaram 0,02% e 0,51%, respectivamente. A Nasdaq fechou em queda de 0,18%.
Apesar da pausa temporária nas ofensivas, o cenário no exterior ainda inspira cautela.
O tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz permanece baixo. A via marítima é responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.
Na última semana, mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, depois que Donald Trump disse estar “considerando um ataque maciço, maior do que nunca” contra a teocracia.
A ofensiva foi uma resposta aos ataques dos houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.
Com o transporte das commodities estrangulado, investidores têm temido um repique inflacionário global. Por consequência, temem também a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.
Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa da continuação do conflito, ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, tendem a se desvalorizar.
Nesta quarta-feira (29), o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) se reúne para definir a nova taxa de juros do país. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a expectativa é de que a instituição mantenha novamente os juros entre 3,5% e 3,75%. Se a projeção se confirmar, será a quinta manutenção consecutiva da taxa nesse intervalo.
“Investidores vão observar com cuidado o tom da comunicação do banco central, porque uma postura mais dura tende a sustentar os juros longos dos EUA e fortalecer o dólar, o que normalmente reduz o apetite por ativos de risco em mercados emergentes”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Investidores também mantêm no radar a divulgação de indicadores econômicos. No Brasil, o destaque é o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, que será divulgado nesta terça-feira (28).
Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, os analistas passaram a projetar inflação de 5,12% neste ano, 0,03 ponto percentual abaixo da estimativa da semana passada.
Mesmo com a redução, a projeção segue acima do teto da meta de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Nos Estados Unidos, o destaque será o índice PCE, indicador de inflação preferido do Fed, que será divulgado na quinta-feira (30). Economistas consultados pela Bloomberg projetam queda de 0,1% no índice mensal e alta de 3,7% no acumulado de 12 meses.
FOLHAPRESS
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