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Ceará / 27.10.2026

Dólar dispara 8,4% e Bolsa tem maior queda desde 2020 após reeleição de Lula

O mercado financeiro brasileiro teve uma segunda-feira (26) de forte turbulência no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar encerrou o dia...

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POR O ESTADO

Publicado em 27/10/2026 às 09:38

Dólar dispara 8,4% e Bolsa tem maior queda desde 2020 após reeleição de Lula
© FONTE: O Estado

O mercado financeiro brasileiro teve uma segunda-feira (26) de forte turbulência no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar encerrou o dia em alta de 8,41%, cotado a R$ 5,409, na maior valorização diária da moeda americana desde janeiro de 1999.

A Bolsa também sofreu uma das maiores quedas de sua história recente. O Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior desempenho diário desde março de 2020, quando o mercado era atingido pelos efeitos iniciais da pandemia de Covid-19. Durante o pregão, o índice chegou a cair mais de 17%.

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A volatilidade foi tão intensa que a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020. Thiago Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), explica que o circuit breaker é o mecanismo de segurança da B3 que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos de pânico e permitir que os investidores analisem melhor o cenário. “A primeira paralisação ocorre quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento anterior, suspendendo as operações por 30 minutos. Caso a desvalorização alcance 15%, uma nova interrupção de uma hora é realizada. Se a queda chegar a 20%, a B3 determina o período de suspensão. O mecanismo não impede novas perdas, mas busca reduzir a intensidade das oscilações e proporcionar maior equilíbrio ao processo de negociação”, explicou.

Reação
A reação refletiu principalmente o descompasso entre o resultado das urnas e o cenário que vinha sendo precificado por parte dos investidores. Nas semanas anteriores ao segundo turno, os mercados haviam incorporado uma expectativa maior de vitória de Flávio Bolsonaro, associada por agentes financeiros à possibilidade de um ajuste fiscal mais rigoroso. A vitória de Lula provocou uma reavaliação rápida dos ativos brasileiros. O temor predominante entre investidores é de que o próximo governo enfrente dificuldades para conter o crescimento da dívida pública e realizar um ajuste fiscal mais consistente.

Esse aumento da percepção de risco pressiona também os juros futuros. Ainda segundo Holanda, “no Ceará e nos demais estados do Nordeste, setores como indústria, agropecuária e comércio podem sentir os impactos do aumento dos custos de produção e financiamento. Por outro lado, atividades como turismo e exportações podem encontrar oportunidades com a valorização do dólar. A intensidade e a duração desses efeitos dependerão da estabilidade econômica e da capacidade do governo de transmitir confiança ao mercado”.

O movimento desta segunda-feira reverteu parte da valorização observada depois do primeiro turno. Na ocasião, quando Flávio Bolsonaro terminou na liderança, o Ibovespa subiu 7,7% no pregão seguinte, enquanto o dólar registrou forte queda. Com a reação posterior à vitória de Lula, parte desses ganhos foi devolvida.

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