Crianças de 4 anos terão novo reforço contra poliomielite a partir de agosto
A proteção contra a poliomielite no Brasil passará por uma mudança no calendário infantil do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 3 de agosto. O esquema vacinal será atualizado...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 23/06/2026 às 14:00
A proteção contra a poliomielite no Brasil passará por uma mudança no calendário infantil do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 3 de agosto. O esquema vacinal será atualizado com a inclusão de um reforço aplicado aos quatro anos de idade e a substituição total da vacina oral pela versão inativada injetável.
Com a alteração, deixa de ser adotado o modelo que combinava três doses iniciais aplicadas aos dois, quatro e seis meses de vida com dois reforços da chamada “gotinha”. Em seu lugar, todas as aplicações passam a utilizar exclusivamente a vacina injetável, ao longo de cinco doses.
A reorganização do esquema prevê três aplicações na primeira infância (aos dois, quatro e seis meses), seguidas de dois reforços, aos 15 meses e aos quatro anos. A recomendação é que crianças menores de cinco anos que não tenham completado o ciclo vacinal sejam levadas às unidades de saúde para avaliação da caderneta e eventual atualização.

A decisão foi formalizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), após análise da Câmara Técnica Assessora em Imunizações, com base em nota técnica divulgada recentemente. Entre os motivos para a mudança está a substituição da vacina oral pela inativada.
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus atenuado presente na “gotinha” pode, em casos raros, sofrer mutações e provocar a doença, o que motivou a adoção exclusiva do imunizante injetável. A necessidade do reforço também está relacionada à queda natural da proteção imunológica ao longo do tempo.
A avaliação é da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI). Para a diretora da entidade, Isabela Ballalai, doses adicionais são essenciais para manter níveis adequados de defesa. “A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde”, complementa.

Ela alerta ainda para o cenário internacional da doença, que, embora controlado no Brasil há décadas, ainda registra surtos localizados em outros países. Esse contexto aumenta o risco de reintrodução do vírus.
“A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde”, afirma.
Histórico
O Brasil está há 37 anos sem registrar casos de poliomielite e recebeu, em 1994, o certificado de eliminação da circulação do vírus. Ainda assim, a circulação internacional do agente infeccioso mantém a necessidade de vigilância e vacinação em dia.
Antes da erradicação no país, entre 1968 e 1989, foram registrados mais de 26 mil casos da doença. Em muitos casos, a infecção pode ser leve, mas também pode evoluir para comprometimento do sistema nervoso central, causando paralisia ou morte. Por isso, a enfermidade também é conhecida como paralisia infantil.
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