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Ceará / 01.08.2026

Conflito entre Ciro e Elmano reedita disputa entre PSDB e PT em 2002

Conflito entre Elmano e Ciro marca retorno do embate entre as duas legendas ao governo do Ceará após 24 anos The post Conflito entre Ciro e Elmano reedita disputa entre PSDB e PT e...

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POR O ESTADO

Publicado em 01/08/2026 às 02:00

Conflito entre Ciro e Elmano reedita disputa entre PSDB e PT em 2002
© FONTE: O Estado

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição, e o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) reeditam em 2026 uma disputa entre PT e PSDB que não ocorria há 24 anos no Ceará. A única vez em que as duas legendas se confrontaram diretamente, e também polarizaram a eleição ao Governo do Estado, foi em 2002, quando José Airton Cirilo (PT) enfrentou Lúcio Alcântara (PSDB).

Elmano teve a candidatura homologada na convenção da federação PT-PCdoB-PV, realizada na noite desta sexta-feira (31), enquanto Ciro foi oficializado pelo PSDB no primeiro dia do período das convenções partidárias, em 20 de julho.

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Além da repetição das siglas, os dois cenários também apresentam semelhanças na configuração política. Ciro reuniu em torno de sua candidatura partidos de direita. A estratégia do tucano foi juntar forças com as legendas da Federação União Progressista — União Brasil (UB) e Partido Progressista (PP) — e com o PL.

Elmano, por outro lado, alinha sua campanha à estratégia do presidente Lula (PT), com legendas do campo progressista e da centro-esquerda. Ambos disputam a recondução aos respectivos cargos.

Ciro e Lúcio Alcântara 
As semelhanças também aparecem na trajetória política dos candidatos tucanos. Assim como Lúcio Alcântara, Ciro Gomes já foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Fortaleza e ministro de Estado. Os dois ainda tiveram as carreiras impulsionadas pelo ex-governador e ex-senador Tasso Jereissati.

Em 2002, Lúcio sucedeu a chamada “era Tasso” na política cearense. Naquele momento, o PSDB acumulava três mandatos intermitentes no Governo do Estado, sendo dois de Tasso e um de Ciro.

Entretanto, a força do PSDB foi se dissipando ao longo dos anos. O principal marco ocorreu em 2006, quando Tasso e Ciro romperam com Lúcio para apoiar o irmão de Ciro, então prefeito de Sobral, Cid Gomes (PSB), ao governo do Ceará.

Mesmo sem o apoio do padrinho político, Lúcio Alcântara concorreu ao pleito, mas perdeu para Cid Gomes. A partir daquele momento, a legenda acumulou uma sequência de derrotas e apoios a candidatos que não conseguiram vencer as eleições.

O cenário começou a mudar novamente em 2025 com o retorno de Ciro ao PSDB. O tucano voltou ao partido após cerca de 30 anos filiado a outras legendas.

A articulação foi conduzida por Tasso Jereissati, que apresentou Ciro como novo presidente estadual da legenda em outubro de 2025. À época, ambos afirmaram que o objetivo era derrotar o PT no Ceará e “salvar o Estado”.

Elmano e Airton
Elmano também guarda semelhanças com José Airton. Ambos são advogados ligados à militância petista, tiveram atuação em movimentos sociais, disputaram a Prefeitura de Fortaleza pelo PT e construíram trajetórias políticas sob o apadrinhamento do presidente Lula.

Os resultados eleitorais, entretanto, seguiram caminhos diferentes. José Airton levou o PT ao segundo turno pela primeira vez na disputa pelo Governo do Ceará, em 2002, mas acabou derrotado por Lúcio. Já Elmano foi eleito governador ainda no primeiro turno da eleição de 2022.

Além disso, Elmano soma dois mandatos como deputado estadual, eleito em 2014 e 2018. O governador também foi secretário municipal durante a gestão da ex-prefeita Luizianne Lins (Rede), à época filiada ao PT. Ao fim do mandato, Luizianne indicou Elmano como sucessor na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, mas a candidatura foi derrotada por Roberto Cláudio (União Brasil), então filiado ao PDT.

Lula em duas décadas
O papel do presidente Lula (PT) também volta a ser um dos vetores da disputa pelo Governo do Ceará. Em 2026, Elmano aposta novamente na proximidade com o presidente como um dos principais ativos da campanha. Já Ciro, apesar de ter ocupado cargos de ministro durante um dos governos do petista, não guarda relação política ou mesmo pessoal com seu algoz.

A estratégia de aliados do tucano no Estado tem sido desvincular a disputa estadual do cenário nacional, sobretudo porque o candidato do PL à presidência é o senador Flávio Bolsonaro (PL), com quem Ciro mantém divergências públicas históricas, assim como com integrantes da família Bolsonaro.

A presença de Lula na disputa estadual, entretanto, não é inédita. Em 2002, enquanto José Airton disputava o Ceará pelo PT, Lula concorria pela primeira vez ao Palácio do Planalto. Embora José Airton fosse o candidato petista no Estado, Lúcio Alcântara participou de uma estratégia articulada por Ciro Gomes para aproximar o então presidenciável da candidatura tucana.

A partir do segundo turno, aliados de Lúcio passaram a adotar o discurso do “Lu-Lu”, em referência à combinação entre Lula na presidência e Lúcio no Governo do Estado.

A estratégia buscava somar o desempenho eleitoral de Lula ao palanque de Lúcio. Naquele pleito, Ciro disputou a presidência pelo PPS, mas acabou derrotado.

No Ceará, entretanto, o então candidato superou Lula nas urnas, vencendo o petista tanto no Estado quanto em Sobral, seu principal berço político. A diferença entre os dois no Ceará foi de aproximadamente cinco pontos percentuais. 

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