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Mundo / 04.09.2026

Como Nepal resgatou dois sobreviventes em túnel nove dias após avalanche que deixou mais de 1,3 mil mortos

Duas pessoas foram resgatadas de um túnel no Nepal, mais de uma semana depois da enxurrada repentina que atingiu a fronteira do país com o Tibete, matando mais de 1,3 mil pesso...

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POR G1 MUNDO

Publicado em 04/09/2026 às 11:11

Como Nepal resgatou dois sobreviventes em túnel nove dias após avalanche que deixou mais de 1,3 mil mortos
© FONTE: G1 Mundo

Duas pessoas foram resgatadas de um túnel no Nepal, mais de uma semana depois da enxurrada repentina que atingiu a fronteira do país com o Tibete, matando mais de 1,3 mil pessoas. Acredita-se que haja ainda outras dezenas de pessoas no mesmo túnel. Um especialista que participou da operação de resgate no túnel de uma usina hidrelétrica nepalesa descreveu para a BBC como eles conseguiram chegar aos sobreviventes. O australiano Arnold Dix é o presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos. Ele vem orientando as autoridades do setor hidrelétrico do Nepal sobre como perfurar através do túnel bloqueado da usina Trishuli-3A, uma de várias unidades atingidas pela enxurrada da semana passada. "É como se tivéssemos um milagre atrás do outro", conta ele, sobre os diversos obstáculos enfrentados até que os dois homens fossem encontrados nesta sexta-feira (4/9). O primeiro desafio foi localizar a entrada do túnel, em um terreno que ficou quase irreconhecível após a enchente. "Nunca soube de uma operação de resgate em que você precisava procurar a entrada de um túnel que, antes, ficava em cima do morro e, agora, estava soterrado", conta Dix. "Você pode imaginar a enormidade da avalanche, que soterrou completamente a entrada." Utilizando métodos de engenharia, velhos mapas topográficos, imagens de satélite da área após o desastre, filmagens feitas de helicópteros e "tudo o que conseguimos encontrar na superfície da montanha, como postes de eletricidade", Dix e sua equipe triangularam a posição provável da entrada e começaram a cavar. Eles a encontraram. O próximo desafio era localizar os sobreviventes. "Sabíamos que eles estariam mais acima, mas não onde, exatamente", ele conta. "Por isso, precisávamos começar a cavar na direção certa e prestar atenção para tentar ouvir alguém." Os socorristas precisaram atravessar um túnel totalmente bloqueado pela lama e pelas rochas, algumas delas maiores que automóveis. Eles precisaram usar explosivos para limpar o caminho, algo que "normalmente, nunca faríamos, devido ao risco de explodirmos as pessoas presas no túnel e a nós mesmos", explica Dix. Ele elogiou o Exército nepalês pelo "maravilhoso trabalho" de gerenciamento preciso das explosões, para garantir que elas não desestabilizassem o túnel. E, paralelamente, eles descobriram que o local ainda estava cheio de água. Usando escavadoras e máquinas de bombeamento, os socorristas nepaleses escavaram uma série de trincheiras a partir do túnel até o rio no lado de fora. Com isso, eles conseguiram drenar a água. Por fim, eles precisaram escavar uma passagem, "um minúsculo túnel do tamanho de uma pessoa", através dos escombros no topo do túnel. A vantagem deste local "é que você pode usar o teto original como o teto do seu próprio túnel. E também reduz o risco de alagamento", explica Dix. Nas primeiras horas da manhã de sexta-feira (4/9), hora local, os socorristas ouviram o que pareciam ser vozes. Relatos locais indicam que eles responderam "não se preocupem, estamos aqui para resgatar vocês". E ouviram de volta um fraco "OK". Pouco tempo depois, eles puxaram Sanjaya Shah e Kabir Maharjan, ambos vivos. Acredita-se que dezenas de pessoas estejam presas no interior do túnel, o que significa que ainda há muito trabalho a ser feito. De volta à 'zona Cachinhos Dourados' Dix calcula que eles já tenham escavado cerca de 60 metros a partir da entrada. Eles precisariam cavar mais 150 metros para chegar à usina hidrelétrica localizada no interior da montanha. Os socorristas esperam que os fragmentos da enchente não tenham atingido a estação. Se isso tiver acontecido, "haverá todo tipo de complicações. As pessoas que estavam na usina poderão ter sido atingidas por rochas e lama, ou o local poderá ter sido inundado." A equipe em terra ainda enfrenta grandes riscos. "Lá em cima, mesmo agora, podemos topar com água, que poderia afogar as pessoas no túnel", segundo Dix. "E também temos o risco de que ocorra outra enchente no lado de fora, de forma que a água poderia vir de trás. Ou seja, existe o risco de encontrarmos água nos dois lados." Mas, incentivada pelo resgate bem sucedido desta sexta-feira, a equipe tem, agora, esperanças de encontrar outros sobreviventes a tempo. "É um grande alívio saber que estamos no caminho certo", prossegue Dix. "E renova a nossa energia saber que nossa ideia [de condução do resgate] funciona... Nunca fizemos nada como isso antes." Ele afirma que, agora, a equipe está se dirigindo ao que ele chama de "zona Cachinhos Dourados", uma região que seria "mais favorável à vida". Esta zona está no nível mais alto da usina hidrelétrica, onde seria possível haver mais sobreviventes. "Conseguimos retirar duas pessoas. Se estivéssemos jogando em um cassino, alguns diriam que está na hora de pararmos. Mas nós dizemos que o jogo continua, está na hora de quebrar a banca." A corrida contra o tempo para resgatar mais de 600 trabalhadores presos em túneis após avalanche no Nepal e no Tibete 'Minha casa desabou e minha irmã está desaparecida': o relato de sobreviventes da enxurrada no Nepal Os mapas e gráficos que mostram a magnitude e o impacto da avalanche no Nepal e Tibete Os minutos que antecederam a avalanche de lama na fronteira entre Nepal e China As imagens de satélite do Nepal que mostram o antes e depois das áreas destruídas pela enxurrada O diretor de escola que salvou 900 estudantes das inundações no Nepal

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