Como a musicoterapia conquistou espaço no cuidado contra a depressão e o Alzheimer
Estudos recentes apontam a musicoterapia como aliada fundamental no tratamento do Alzheimer e da depressão, resgatando memórias e devolvendo qualidade de vida a pacientes e familia...
POR O ESTADO
Publicado em 28/07/2026 às 09:30
Em um mundo onde as palavras às vezes fogem e o silêncio se torna pesado, a música atua como uma ponte invisível, capaz de acessar os cantos mais profundos da mente humana. O aumento dos casos de depressão e o envelhecimento da população têm ampliado a busca por abordagens complementares capazes de promover mais qualidade de vida aos pacientes.
Segundo a Alzheimer’s Disease International, aproximadamente 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, número que pode chegar a 139 milhões até 2050. A Doença de Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos de demência, tornando-se um dos principais desafios para os sistemas de saúde e para as famílias.
Cada vez mais integrada aos protocolos de saúde integrativa, a musicoterapia tem se consolidado como uma ferramenta terapêutica de alto impacto clínico, especialmente no suporte a pacientes diagnosticados com a doença de Alzheimer e quadros severos de depressão.
Diferente do simples ato de ouvir música para relaxar, a musicoterapia é uma prática clínica estruturada, conduzida por profissionais especializados. O método utiliza o som, o ritmo, a melodia e a harmonia para promover a comunicação, a expressão de sentimentos e a reabilitação cognitiva e emocional, como explica a musicoterapeuta, Márcia Paiva.
“A musicoterapia é uma importante aliada no cuidado de idosos com Alzheimer, pois estimula áreas do cérebro ligadas à memória e às emoções. Ela pode despertar lembranças afetivas, favorecer a comunicação, reduzir ansiedade e agitação, melhorar o humor e promover maior interação social. Além disso, proporciona momentos de bem-estar, fortalecendo o vínculo com familiares e contribuindo para uma melhor qualidade de vida”, explica a musicoterapeuta.
A musicoterapia utiliza a música de forma terapêutica para estimular funções cognitivas, emocionais e sociais. Uma ampla revisão publicada pela renomada rede de evidências científicas Cochrane analisou dezenas de estudos envolvendo pacientes com demência e apontou que terapias baseadas em música melhoram significativamente os sintomas depressivos e os problemas comportamentais decorrentes do quadro. O estudo reforçou que a intervenção se comporta como uma alternativa viável, humanizada e de excelente acessibilidade comparada a abordagens puramente medicamentosas. A técnica pode contribuir para reduzir sintomas de ansiedade e depressão, favorecer a interação social, estimular lembranças afetivas e minimizar episódios de agitação em pessoas com Alzheimer.
Diagnosticada com Alzheimer, Neusa Veríssimo de 85 anos, faz musicoterapia para melhorar os sintomas. Segundo sua filha, Marta Veríssimo, quando a mãe participa das atividades sua autoestima melhora, lembranças voltam, além de ficar mais comunicativa com as pessoas.
“A musicoterapia trouxe mudanças muito bonitas para a minha mãe. Percebo que, quando ela participa das atividades musicais, fica mais alegre, mais comunicativa e muito mais envolvida com tudo ao seu redor. As músicas despertam lembranças que pareciam adormecidas. Muitas vezes ela canta, acompanha o ritmo e recorda momentos da sua história, o que emociona toda a nossa família. Também notamos que ela fica mais calma, com menos ansiedade e mais disposta ao longo do dia”, destaca Marta.
Para Marcelo Niza, especialista na área, os benefícios também se estendem aos familiares, que passam a vivenciar momentos de maior aproximação com os pacientes.
“A musicoterapia cria oportunidades de acolhimento e conexão entre pacientes, familiares e cuidadores. Muitas vezes, uma simples melodia desperta emoções, facilita a comunicação e fortalece vínculos, tornando o cuidado mais leve, humanizado e significativo.”
Especialistas reforçam que a musicoterapia não substitui o tratamento médico tradicional, mas potencializa os resultados quando somada a uma assistência multiprofissional. Essa rede de abordagens integradas atua diretamente na preservação da autonomia, da cognição, da mobilidade e da qualidade de vida dos pacientes.
Quando a musicoterapia pode ser indicada?
- Como complemento ao tratamento da depressão;
- Para pessoas com Alzheimer e outras demências;
- Em casos de ansiedade e isolamento social;
- Para estimular memória, linguagem e interação;
- Como estratégia para melhorar a qualidade de vida de pacientes e cuidadores.
The post Como a musicoterapia conquistou espaço no cuidado contra a depressão e o Alzheimer appeared first on O Estado CE.