Chanceler da Argentina diz esperar mudançade poder no Brasil em meio a crise entre vizinhos
Um dia após o Itamaraty rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, o chanceler do país vizinho disse esperar que o Brasil se una à onda conservadora pela qual a América do ...
POR O ESTADO
Publicado em 06/08/2026 às 05:50
Um dia após o Itamaraty rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, o chanceler do país vizinho disse esperar que o Brasil se una à onda conservadora pela qual a América do Sul passa e confirmou a organização de uma cúpula de líderes de direita da região em Buenos Aires. “A região está mudando sua direção ideológica. Celebramos isso e esperamos que aconteça o mesmo no Brasil”, afirmou em entrevista coletiva, nessa quarta-feira (5), o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno.
Ao mencionar o evento na Capital argentina, ele atribuiu o avanço da direita na região ao presidente Javier Milei. “Essa liderança foi o que nos levou a ter hoje um grupo de 12 países alinhados com essas ideias e que se apoiam constantemente. Isso provavelmente resultará em um convite do presidente Milei para uma reunião em Buenos Aires assim que as agendas permitirem”, continuou.
As declarações ocorrem após o Itamaraty dispensar o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e decidir que o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não voltará ao país vizinho. O diplomata está no Brasil desde 26 de julho, um dia após Milei atacar o presidente Lula (PT) durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL/RJ), em São Paulo.
O governo decidiu manter a relação apenas no nível de encarregado de negócios após o presidente argentino renovar as ofensas ao petista durante entrevista a uma rádio no último fim de semana. “Quando respondo com verdades, Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado”, disse o ultraliberal no domingo (2), repetindo os termos para se referir ao presidente brasileiro que havia usado uma semana antes. “Se há alguém que interfere politicamente na região é Lula, contaminando-a por completo com as ideias imundas do socialismo.”
Na entrevista de ontem, Quirno repetiu o comunicado da véspera, no qual o Ministério das Relações Exteriores argentino disse que “lamenta a decisão [do Brasil] de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas”. “Esta é uma decisão unilateral do Brasil que lamentamos”, afirmou.
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