Ceará amplia acesso a método contraceptivo e capacita enfermeiros em todo o Estado
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) iniciou o treinamento sobre implante subdérmico contraceptivo para enfermeiros da Atenção Primária. A capacitação é realizada em parceria com ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 17/06/2026 às 20:16
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) iniciou o treinamento sobre implante subdérmico contraceptivo para enfermeiros da Atenção Primária. A capacitação é realizada em parceria com a Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) e integra o Eixo 1 do programa De Braços Abertos, voltado à Educação Permanente em Saúde para a Atenção Primária.
As primeiras turmas estão sendo treinadas entre 16 e 18 de junho e contemplam profissionais das Coordenadorias de Área Descentralizada de Saúde (Coads) de Iguatu, Cascavel e Fortaleza. Ao todo, serão 24 turmas descentralizadas nas regiões de saúde, com previsão de capacitar mais de 480 enfermeiros. A proposta é contemplar todos os municípios cearenses.
Segundo a coordenadora de Atenção Primária da Sesa, Thaís Facó, a capacitação tem como objetivo preparar profissionais que também possam atuar como multiplicadores nos territórios. “É um processo muito robusto. Começaremos agora e seguiremos até o fim de setembro. A ideia é capacitar e habilitar, no mínimo, dois enfermeiros de cada município. Eles estarão aptos a multiplicar e treinar outros enfermeiros, o que ajuda a consolidar essa estratégia de forma mais ampla na Atenção Primária”, afirma.
A enfermeira Elizamara Silva, participante da capacitação em Horizonte, município que faz parte da Coads de Cascavel, diz que a formação contribui para ampliar a organização da rede local. “Esse momento é de extrema relevância porque nos faz refletir sobre o resgate da saúde reprodutiva e sexual dentro dos municípios. Com os enfermeiros treinados, nós vamos ter uma maior abrangência e cobertura das mulheres com o contraceptivo subdérmico”, destaca.
A profissional também será multiplicadora da formação no município. Lá, a etapa prática aconteceu em três unidades de saúde, com 75 mulheres selecionadas conforme os critérios de elegibilidade para o método. Segundo a enfermeira, a replicação deve começar logo após o encerramento da turma.
“O projeto de multiplicar vai ser imediato. Concluindo esse momento, com a parceria do Estado, da Sesa e da ESP/CE, nós vamos replicar o conhecimento. O objetivo é que as mulheres interessadas e elegíveis tenham acesso ao método do implante contraceptivo nas unidades de saúde, de forma segura e orientada”, destaca.
A Sesa atua na articulação estadual da estratégia, na qualificação dos profissionais e no apoio à organização dos processos de trabalho nos municípios. Os insumos são adquiridos pelo Ministério da Saúde e encaminhados conforme a disponibilidade das remessas.
Programação
A programação das capacitações é organizada em três dias. O primeiro é voltado a temas como saúde sexual e reprodutiva no contexto da Atenção Primária, violência contra a mulher e dignidade menstrual no SUS. No segundo dia, os profissionais estudam o implante subdérmico contraceptivo, incluindo perfil de elegibilidade, termo de consentimento livre e esclarecido, registro no PEC e-SUS, técnica de inserção, manejo de intercorrências e materiais necessários para o procedimento. Também são realizadas simulações de atendimento, identificação de marcos anatômicos e treinamento em simulador. O terceiro dia é dedicado à prática supervisionada, com consultas e inserções em usuárias elegíveis.
Sobre o implante
O implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel, popularmente conhecido como Implanon, é um método de longa duração, com validade de até três anos. Inserido sob a pele do braço por profissional habilitado, ele libera hormônio de forma contínua para prevenir a gravidez.
No SUS, a oferta é voltada a usuárias de 14 a 49 anos, conforme avaliação clínica, critérios de elegibilidade e disponibilidade do insumo na rede. Antes da inserção, a pessoa deve receber orientação sobre o método, possíveis efeitos, tempo de duração, retirada e continuidade do cuidado, além de assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. O método não protege contra infecções sexualmente transmissíveis, por isso o uso de preservativo segue recomendado.