Caso Master: veja os nomes e as condutas dos 15 indiciados no relatório da PF; lista inclui Vorcaro e ex-presidente do BRB
Fachada de prédio do BRB, em imagem de arquivo Jornal Nacional/ Reprodução A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28) um relatório p...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 28/10/2026 às 19:23

Fachada de prédio do BRB, em imagem de arquivo
Jornal Nacional/ Reprodução
A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28) um relatório parcial do principal inquérito que apura esquemas relacionados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
No documento de mais de 700 páginas, a PF indicia 15 suspeitos de participação nas condutas ilegais.
Veja abaixo quem são os investigados, e quais condutas são atribuídas a cada um deles no relatório da PF:
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, comando de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos e comando de organização criminosa.
Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Allan da Silva Machado, ex-procurador do Master: gestão fraudulenta de instituição financeira, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Henrique Souza e Silva Peretto, sócio da Tirreno: gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno: gestão fraudulenta de instituição financeira e fraude em investimentos na condição de partícipe, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Daniel Lopes Monteiro, ex-advogado do Master: gestão fraudulenta de instituição financeira e fraude em investimentos na condição de partícipe, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira, participação de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens.
Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora executiva de Controle e Riscos do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira;
Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora executiva de gestão de pessoas do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira;
Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor executivo de Atacado e Governo do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira;
José Maria Correa Dias Junior, ex-diretor executivo de Tecnologia do BRB: gestão fraudulenta de instituição financeira.
No mesmo documento, os delegados da Polícia Federal pedem prazo adicional de 60 dias para seguir com as investigações, concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa compunham o "núcleo estratégico da organização criminosa" que tentou viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, entre 2024 e 2025.
"Na condição de líder da organização, Daniel Bueno Vorcaro centralizava as decisões relacionadas à produção, aquisição, cessão das carteiras de crédito utilizadas para captação de recursos, além de dirigir a atuação dos demais integrantes vinculados ao Banco Master e às estruturas empresariais associadas ao esquema", diz o relatório.
PF ouve Vorcaro e ex-presidente do BRB sobre Banco Master
O BRB – que tem como acionista majoritário o governo do DF – enfrenta uma crise marcada por perdas bilionárias ligadas a operações com o extinto Banco Master.
Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram alvo de diferentes fases da Operação Compliance Zero, que investiga os negócios do Banco Master. Os três estão presos.
O BRB tentou comprar o Master e chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no banco de Vorcaro. A compra foi barrada pelo Banco Central e, depois, o BRB descobriu que parte das carteiras compradas era fraudulenta e sem lastro.
Detalhes da operação
No relatório, a PF também detalhou a participação de cada indiciado no esquema criminoso.
Daniel Vorcaro, como líder da organização criminosa, ocupava o "centro decisório" da operação. Segundo a investigação, o banqueiro era não só o encarregado de coordenar os núcleos, como o principal beneficiário.
Em contato direto com Vorcaro, Paulo Henrique Costa aparece como o agente de articulação dos negócios com o BRB. Cabiam ao ex-presidente do banco administrar as demandas, pressionar setores internos e interferir em critérios técnicos das negociações.
Augusto Lima, ex-sócio do dono do Master, figurava como uma espécie de elo entre o banco, as entidades responsáveis pelo fornecimento das bases de dados e as equipes encarregadas de transformar essas informações em carteiras de crédito negociáveis.
Ex-diretor de Contabilidade do Master, Angelo Antônio ocupava posição central na estrutura investigada. Segundo a PF, era responsável por dar suporte contábil às operações e assegurar que elas estivessem amparadas por registros e documentação compatíveis com as exigências regulatórias.
Entre os funcionários do Master, Alberto Felix e Luiz Antonio Bull faziam ponte com a Tirreno. Já Allan da Silva Machado era encarregado de selecionar créditos, tratar os dados recebidos e organizar os arquivos destinados às cessões ao BRB, além de atender às demandas do Banco de Brasília.
No BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior coordenava a aquisição das carteiras. O ex-diretor era encarregado de receber os relatórios técnicos e participava da deliberação das negociações.
Cristiane, Diogo e José Maria, membros da diretoria colegiada do BRB, foram responsáveis pelas decisões que deram aval às operações investigadas. Enquanto o processo de aquisição estava em curso, Luana de Andrade chegou a alerta a administração dos riscos. Ainda assim, participou do processo que manteve as aquisições.
André Felipe de Oliveira e Henrique Souza representavam os interesses da Tirreno na operação. Segundo a investigação, Henrique participou da capitalização da companhia, interlocução com a Cartos e do encaminhamento ao BRB e ao Banco Central de documentos relacionados às operações.
Cabia ao escritório Monteiro Rusu fornecer consultoria jurídica ao Banco Master. O representante, Daniel Lopes Monteiro, atuava na elaboração e revisão de contratos, notificações e documentos societários. De acordo com a PF, Vorcaro, Monteiro e outros advogados participavam de grupo no WhatsApp destinado a facilitar a comunicação para o fechamento das operações.
O g1 e a TV Globo tentam contato com as defesas dos citados.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.