Casas Bahia pede recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo diante do agravamento de sua situação financeira. A solicitação foi apresentada na noite de d...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 17/08/2026 às 17:29

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo diante do agravamento de sua situação financeira. A solicitação foi apresentada na noite de domingo, 16 de agosto, e envolve dívidas que somam aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O processo tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e inclui dez empresas ligadas à holding.
O pedido acontece em meio a uma ampla reestruturação das operações da varejista. Documentos apresentados no processo apontam o desligamento de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de 298 lojas. Apesar da redução da estrutura física, a companhia pretende manter suas atividades no Brasil, incluindo lojas que continuam em funcionamento, comércio eletrônico e demais canais de venda.
Dívidas ultrapassam R$ 17 bilhões
Dos R$ 17,3 bilhões informados no processo, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores quirografários, que não possuem garantias específicas. Outros R$ 754 milhões estão relacionados a credores trabalhistas, enquanto cerca de R$ 154 milhões envolvem microempresas e empresas de pequeno porte.
A recuperação judicial é utilizada por empresas que enfrentam dificuldades financeiras e buscam reorganizar suas dívidas sem interromper necessariamente as atividades. No caso da Casas Bahia, a companhia afirma que o processo é mais uma etapa de sua estratégia de reestruturação financeira diante de um cenário de restrição de liquidez.
Entre as medidas solicitadas à Justiça está a suspensão temporária de execuções e cobranças, mecanismo que pode proporcionar um período para que a empresa negocie com os credores e apresente um plano para reorganizar suas obrigações financeiras.
Quase 300 lojas fechadas
A reestruturação também atingiu diretamente a presença física da companhia. A Casas Bahia fechou 298 unidades e promoveu uma redução significativa de seu quadro de funcionários. A empresa informou no processo possuir pouco mais de 30 mil colaboradores antes dos cortes.
As demissões provocaram reação de entidades sindicais. Sindicatos anunciaram medidas judiciais relacionadas aos desligamentos coletivos e questionam se houve negociação prévia suficiente antes das dispensas.
Mesmo com o fechamento de centenas de unidades, o pedido de recuperação judicial não significa o encerramento das atividades da Casas Bahia. A estratégia busca justamente criar condições para que a empresa mantenha a operação enquanto renegocia compromissos financeiros e reorganiza sua estrutura.
Prejuízo bilionário agravou situação
O pedido foi apresentado poucos dias depois da divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2026. No período entre abril e junho, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 10,1 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 9,1 bilhões estão relacionados a efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto imediato equivalente sobre o caixa da companhia.
Desconsiderando esses efeitos extraordinários, o prejuízo ajustado ficou em aproximadamente R$ 978 milhões. No mesmo período do ano anterior, a perda havia sido de R$ 555 milhões. A receita líquida, por outro lado, apresentou crescimento de 1,6% e ficou próxima dos R$ 7 bilhões no trimestre.
A companhia também enfrenta dificuldades relacionadas ao custo elevado do crédito e à necessidade de manter os estoques abastecidos. Após entrar com o pedido de recuperação, o grupo passou a buscar aproximadamente R$ 1 bilhão em financiamento para reforçar o caixa e recompor estoques, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 17 de agosto.
Grupo já havia renegociado dívidas em 2024
Esta não é a primeira grande reestruturação financeira recente da Casas Bahia. Em abril de 2024, o grupo apresentou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. O plano foi posteriormente homologado pela Justiça.
A recuperação extrajudicial, no entanto, possui características diferentes do processo solicitado agora. Com o novo pedido, a companhia busca proteção judicial mais ampla para reorganizar um volume de dívidas consideravelmente maior e tentar preservar a continuidade das operações.
O desafio da Casas Bahia passa agora pela aprovação e execução de um plano capaz de reorganizar os R$ 17,3 bilhões em compromissos financeiros, recuperar liquidez e manter a operação de uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro em funcionamento.
Fonte: ANC
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