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Regional / 02.09.2026

Caranguejos de Fortim têm substância que pode desregular hormônios humanos, diz estudo da UFC

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificaram a presença de bisfenóis em caranguejos coletados em Fortim, no litoral do Ceará. A substância, utilizada em plás...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 02/09/2026 às 12:54

Caranguejos de Fortim têm substância que pode desregular hormônios humanos, diz estudo da UFC
© FONTE: Sobral OnLine

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificaram a presença de bisfenóis em caranguejos coletados em Fortim, no litoral do Ceará. A substância, utilizada em plásticos e papéis térmicos, é considerada tóxica para seres humanos e pode influenciar o funcionamento do sistema endócrino de seres humanos, impactar negativamente o sistema imunológico e reprodutivo.

O estudo defende que as altas concentrações do composto nos crustáceos evidenciam a poluição ambiental de manguezais. Não é possível, no entanto, definir quais são os impactos do consumo desses animais contaminados a partir da pesquisa da UFC.

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“Isso serve de alerta quanto à questão do gerenciamento do resíduo sólido e do resíduo líquido. Quando um material é descartado e vai parar em um aterro sanitário controlado ou em um sistema de reciclagem, ok. Ali é o destino correto dele. Agora, quando esse material vai parar em um lixão, fica o risco ambiental”, explica o professor Rivelino Cavalcante, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC) e coordenador do estudo.

Segundo Rivelino, a maioria dos contaminantes oriundos das atividades humanas vai parar no sedimento de mangues, onde vivem os caranguejos. Por isso, a pesquisa utilizou o animal como um biomonitor: a partir desse componente importante dos manguezais, foi possível mensurar a qualidade do ambiente.

O QUE É O BISFENOL ENCONTRADO NOS CARANGUEJOS
Os bifenóis são um grupo de substâncias químicas usadas como matéria-prima na fabricação de plástico de policarbonato e resinas epóxi. Além disso, o composto é encontrado em papéis térmicos, como comprovantes de cartão, recibos de caixas de supermercado, senhas de atendimento, etc.

O bisfenol A (BPA) é o tipo mais conhecido e estudado, mas foram encontrados nos caranguejos também o bisfenol F (BPF) e o bisfenol C (BPC).

No Brasil, o BPA é proibido em mamadeiras e utensílios voltados para a alimentação de lactentes e crianças de até 3 anos. Para os demais usos, o emprego da substância é aceitável desde que respeitados os limites máximos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os tipos análogos ao bisfenol A (BPF e BPC) não têm uso proibido no Brasil. No entanto, pesquisas também os associam a riscos à saúde humana. A União Europeia, que já proibia o BPA em mamadeiras e recibos de papel térmico, passou a banir o uso de bisfenóis e derivados na confecção de embalagens de alimentos a partir de julho de 2026.

Segundo a pesquisa da UFC, a maior parte das amostras retiradas dos caranguejos mostrou níveis de bisfenóis que excedem a ingestão diária tolerável para seres humanos. As concentrações de bisfenol F (BPF) nos crustáceos da espécie Cardisoma guanhumi de Fortim foram consideradas “alarmantes”.

O Diário do Nordeste procurou a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por e-mail, para perguntar se os órgãos têm conhecimento da problemática mostrada na pesquisa e se há monitoramento dos níveis de poluição dos manguezais de Fortim. Não houve resposta até a publicação desta matéria.

IMPACTO DO CONSUMO DOS CARANGUEJOS PRECISA SER ESTUDADO
O estudo, conforme o professor Rivelino, não se debruçou sobre os impactos do consumo de caranguejos contaminados na saúde humana. Ele afirma que o material foi coletado apenas de crustáceos vivos. Portanto, não é possível inferir se a mesma quantidade de bisfenóis é encontrada no alimento preparado.

“A pesquisa avaliou o animal vivo no seu ambiente. Nós não sabemos, por exemplo, o que acontece após o preparo dele como uma refeição. O que nós precisamos fazer são pesquisas mais aprofundadas nisso. O que o estudo mostra mesmo é que nossos animais estão recebendo substâncias que não eram para receber”
Rivelino Cavalcante
pesquisador do Labomar-UFC
Nos próximos passos, os pesquisadores devem fazer análises clínicas dos animais para entender as consequências da contaminação no DNA dos crustáceos.

A análise de fluidos dos caranguejos ainda é pouco utilizada em pesquisas desse tipo, conforme Rivelino. Para o estudo, foram desenvolvidos métodos de coleta da urina e da hemolinfa (líquido que exerce um papel semelhante ao do sangue nos crustáceos).

Isso permitiu a extração das amostras de forma minimamente disruptiva ao ambiente, sem a necessidade de sacrifício dos bichos.

Esse conhecimento deve ser novamente aplicado na busca de outras substâncias que indiquem a poluição dos manguezais, como os parabenos, muito encontrados em cosméticos e maquiagens.

Fonte:Diário do Nordeste

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