Caranguejos de Fortim têm presença de substância usada em plásticos
Uma análise realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) encontrou bisfenóis em caranguejos coletados em manguezais de Fortim, no litoral do Ceará. Nos animais da espécie Car...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 02/09/2026 às 17:30
Uma análise realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) encontrou bisfenóis em caranguejos coletados em manguezais de Fortim, no litoral do Ceará. Nos animais da espécie Cardisoma guanhumi, as concentrações de bisfenol F (BPF) foram classificadas como “alarmantes” pelos pesquisadores. Em grande parte das amostras, os níveis identificados ficaram acima da ingestão diária tolerável para seres humanos.
Usados na fabricação de plásticos, resinas e papéis térmicos, os bisfenóis também estão presentes em produtos como recibos e comprovantes de cartão. Além do BPF, foram encontrados bisfenol A (BPA) e bisfenol C (BPC). Essas substâncias são associadas a possíveis alterações no sistema endócrino e a impactos nos sistemas imunológico e reprodutivo.

Para avaliar a qualidade dos manguezais, os caranguejos foram utilizados como indicadores de contaminação ambiental. Isso ocorre porque diversos poluentes provenientes de atividades humanas podem se acumular no sedimento onde os animais vivem. Ao todo, 300 caranguejos foram coletados em 17 manguezais das regiões Norte e Nordeste. Os resultados de Fortim e de Itapissuma, em Pernambuco, foram publicados na revista científica Marine Environmental Research.
Ainda não é possível afirmar, porém, quais seriam os efeitos do consumo desses caranguejos para a saúde humana. A equipe analisou os animais vivos e não verificou se a quantidade de bisfenóis permanece a mesma depois que os crustáceos são preparados como alimento. Novas análises devem investigar possíveis alterações no DNA dos animais e a presença de outros contaminantes nos manguezais.

Sobre a origem da contaminação, o professor Rivelino Cavalcante, coordenador do estudo e pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC), chama atenção para o descarte inadequado de resíduos sólidos e líquidos. Segundo ele, quando esses materiais chegam a lixões, aumenta o risco de que substâncias químicas alcancem os ambientes naturais.
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