Caio Quinderé: quatro cidades, 40 anos de cultura
Jornalista, dramaturgo, poeta e escritor comemora quatro décadas de atividade cultural com lançamento de livro e espetáculo em Fortaleza The post Caio Quinderé: quatro cidades, 40 ...
POR O ESTADO
Publicado em 23/07/2026 às 02:30
Caio Quinderé celebra 40 anos de atividade cultural com programação que reúne literatura, teatro e verso. Em 13 de agosto, o escritor lança, no Cine São Luiz, o “Novelas do Tempo”, primeiro livro solo de poesia do autor, além da apresentação do espetáculo “E eu joguei flores nas minhas memórias’’. A programação também marca uma nova fase de produção literária, que inclui um novo livro de contos previstos para este ano. Ao O Estado, Quinderé discute sua própria trajetória, que passou por Teresina, Rio de Janeiro, Fortaleza e Lisboa.
Aos 56 anos, o poeta afirma que comemorar os 40 anos de carreira é também reconhecer as transformações vividas ao longo desse percurso. “A estrutura comunicacional mudou bastante. Quando comecei a escrever, era numa máquina, depois que veio o computador. Parece coisa jurássica”, brinca.
Nascido em Teresina, Caio tinha sete anos quando mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou sua formação nos palcos de teatro carioca. Após dez anos de atividade cultural, Quinderé chegou ao Ceará ao final da década de 1990. As transformações na comunicação, no entanto, para Caio, foram além das telas. Seu contato permanente com a literatura também transformou sua forma de escrita e compreensão. “Minha aproximação com a palavra está cada vez mais íntima. A dramaturgia e a literatura são antropofágicas. Elas nos alimentam e também nos transformam. A gente amadurece junto com a escrita e aprende a tratar cada gênero literário de uma maneira diferente”, diz.
“Costura do tempo”
Embora já tenha participado de coletâneas poéticas, “Novelas do Tempo” é considerado um marco para o escritor por se tratar do seu primeiro livro solo de poesia. A obra nasceu antes mesmo da mudança para Portugal, mas ganhou novo significado durante os sete anos em que o autor viveu em Lisboa, entre 2016 e 2022.
O manuscrito, segundo ele, foi inscrito em um concurso promovido por uma editora da cidade do Porto e conquistou o primeiro lugar. Como prêmio, o livro foi publicado em Portugal. Contudo, a chegada da pandemia de Covid-19 comprometeu a divulgação da obra. Com o encerramento do contrato editorial e o retorno ao Brasil, em 2022, Quinderé recuperou os direitos autorais e decidiu lançar uma nova edição, agora no Ceará.
O título da obra faz referência ao tempo como fio condutor da narrativa poética. Os poemas foram escritos em diferentes momentos da vida do autor, reunindo textos da juventude e produções recentes. “É uma costura do tempo. Há poemas escritos há muitos anos e outros produzidos recentemente. O livro acompanha esse amadurecimento e essa caminhada”, explica.
Os poemas, as cidades
As quatro cidades por onde o escritor viveu aparecem diretamente na obra. “Tenho poemas sobre Fortaleza, sobre o Rio Poti, no Piauí, e sobre Lisboa. Essas cidades vão me marcando”, comenta.
Além da poesia, Quinderé também atua como dramaturgo e contista. Em março deste ano lançou um livro sobre os fundadores da Academia Cearense de Teatro, instituição da qual é vice-presidente. Já no segundo semestre está previsto o lançamento de Fragmentos de Sonhos Escritos, livro de contos publicado pela Editora Viseu.
A programação do dia 13 de agosto reúne diferentes linguagens artísticas. O lançamento de Novelas do Tempo terá apresentação do escritor Batista de Lima, responsável pelo prefácio da obra. As atrizes Ana Marlene e Luísa Pontes, além da cantora e atriz Joana Angélica, farão leituras de poemas escolhidos por elas.Na sequência, o público acompanha a montagem de “E eu joguei flores nas minhas memórias”, espetáculo escrito por Quinderé, com direção de Antônio Marcelo e elenco formado por Kátia Camila, Tetê Palha e Elza Monte. (Por Júlia Lopes, estagiária sob supervisão de editores)
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