Brasileiros poupam, porém reserva de emergência dura menos do que o ideal
Pesquisa aponta que 43% esgotariam os recursos antes de seis meses e reforça a importância de investir além da poupança The post Brasileiros poupam, porém reserva de emergência dur...
POR O ESTADO
Publicado em 01/08/2026 às 01:49
Guardar dinheiro até parece fácil, mas deixá-lo guardado é o desafio. Foi o que apontou uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha. Segundo o estudo, 69% das pessoas até dizem ter reserva de emergência, aquela “gordurinha” de seis meses, apontada como ideal por especialistas, porém 43% delas afirmam que essa reserva acabaria antes desse prazo.
O levantamento mostrou ainda que quase um terço dos entrevistados não possui nenhuma quantia guardada. Esse cenário de fragilidade financeira encontra eco na falta de hábito de guardar dinheiro, bem como na má gerência dos recursos.
A assessora de investimentos da XP no Ceará, Wanádia Martins, afirma que a presença da poupança como forma de guardar dinheiro não tem dado o retorno suficiente. Para ela, durante muito tempo essa forma de investimento foi o “porto seguro”.
“Hoje, ela funciona mais como um lugar de passagem do que de proteção. O dinheiro fica parado, rende pouco e perde força com o tempo. Com rendimento baixo e pouca eficiência frente à inflação, deixar toda a reserva na poupança pode significar perder poder de compra, justamente no momento em que o recurso mais se faz necessário”, complementa.
Wanádia Martins sugere ainda que produtos, como Tesouro Selic e CDBs, são opções simples, acessíveis e têm liquidez diária, além disso, permitem resgates imediatos sem abrir mão da segurança financeira e do rendimento.
A especialista aponta também que é imprescindível que haja atenção para não deixar dinheiro parado, não confundir investimento de risco com reserva e identificar o que são recursos de emergência e investimentos de longo prazo.
Educação financeira
Para a professora da Universidade Fortaleza e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), Isadora Osterno, a educação financeira se faz necessária e deve ir além da ideia de ensinar apenas a economizar, mas desenvolver a capacidade de tomar decisões conscientes ao longo da vida. “Na minha visão, alguns conteúdos são fundamentais: matemática financeira, custo de oportunidade, noções de economia aplicadas ao cotidiano e, por fim, a economia comportamental”, sugere.
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