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Ceará / 14.05.2026

Brasil e EUA apontam para o entendimento

Louve-se a capacidade de diálogo e entendimento demonstrada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na reunião de trabalho realizada na quinta-feira, com o objet...

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POR O ESTADO

Publicado em 14/05/2026 às 03:01

Brasil e EUA apontam para o entendimento
© FONTE: O Estado

Louve-se a capacidade de diálogo e entendimento demonstrada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na reunião de trabalho realizada na quinta-feira, com o objetivo de discutir e, se possível, solucionar o contencioso entre Brasil e Estados Unidos. Não é estranho que o encontro entre os governantes de dois países de grande relevância no continente — Trump, à frente da maior economia e força bélica do planeta, e Lula, chefe do maior país da América Latina — desperte interesse, expectativa e até especulações descabidas, como se viu nas redes sociais.
Chegou-se a dizer que Lula viajaria aos Estados Unidos praticamente como alguém constrangido, sem convite real do colega norte-americano, e que poderia até ser submetido a situações extremas, a exemplo das tensões envolvendo o venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, o que o mundo assistiu foi um encontro cordial, produtivo e até elogioso entre os dois presidentes e suas respectivas equipes.
Lula pediu a Trump o prazo de um mês para que os dois governos voltem a discutir as tarifas incidentes sobre o comércio bilateral. Também obteve do interlocutor a promessa de que os Estados Unidos não invadirão Cuba, sinalizando a busca por outros meios para lidar com a crise. A eventual classificação das facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas também não avançou naquele momento. Ficou igualmente para depois a questão do PIX, tema que, nos últimos meses, vem provocando divergências entre os dois governos. Todos esses assuntos deverão ser tratados em encontros técnicos entre assessores brasileiros e norte-americanos, antes de serem levados novamente à decisão dos dois chefes de Estado nos próximos meses.
No campo comercial, o governo norte-americano recebeu sugestões de empresários dos Estados Unidos interessados no bom entendimento com o Brasil. Esses setores demonstraram preocupação tanto com os entraves tarifários quanto com a crescente influência econômica chinesa nas transações comerciais brasileiras. Da mesma forma, espera-se que o governo Lula ouça as ponderações do empresariado brasileiro, buscando atender aos interesses nacionais sem fechar portas ao diálogo internacional. Há segurança de que, se houver equilíbrio, pragmatismo e disposição para negociar, ambos os países sairão ganhando.
Antagônicos ideologicamente — Lula à esquerda e Trump à direita —, os dois presidentes conseguiram transformar o encontro em uma oportunidade para discutir pontos convergentes e convocar suas assessorias para tratar dos temas técnicos e mais delicados. Até trocaram elogios, atitude pouco previsível diante das divergências e agressões verbais registradas anteriormente, quando ambos abordaram temas sobre os quais mantêm entendimentos opostos. A reunião, que durou aproximadamente três horas, incluindo a parte de trabalho e o almoço, deixou imagem positiva. Tanto que o mercado e lideranças de diferentes setores da economia, principalmente, receberam o encontro com aprovação.
Brasileiros e norte-americanos esperam que Lula e Trump se entendam e possam trabalhar conjuntamente. Não deve haver necessidade de intervenção militar dos Estados Unidos em nosso país, e, para que isso ocorra com bons resultados, é essencial que o governo de Brasília demonstre efetiva disposição de colaborar na equalização dos problemas. Existem questões de grande dimensão a enfrentar, como o tráfico de drogas e a intenção norte-americana de considerar o Comando Vermelho e o PCC como células terroristas. Tudo o que puder ser feito para evitar confrontos, rupturas e desconfortos diplomáticos será de fundamental importância.
Afinal, Brasil e Estados Unidos já conviveram pacificamente por mais de 200 anos, com bons resultados. Se o entendimento continuar, todos lucrarão, inclusive os próprios Estados Unidos, que deixarão de ver a China — sua principal adversária estratégica — ampliar sem resistência seus investimentos no Brasil e reduzir as possibilidades de Washington expandir seus negócios em nosso território.
Lula foi feliz ao sugerir uma política brasileira para terras e minerais raros. Sua proposta de admitir parcerias com diferentes nações tecnológicas atende ao mais alto interesse brasileiro. O país precisa preservar sua soberania, diversificar alianças, atrair investimentos e transformar suas riquezas naturais em desenvolvimento. Queremos vê-la concretizada.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES
TENENTE E DIRIGENTE
DA ASPOMIL

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