Bolsa cai pelo sexto pregão seguido, dólar vai a R$ 5,49 e mercado amplia cautela
Os ativos brasileiros voltaram a sofrer nessa terça-feira (3), em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política econômica do quarto governo...
POR O ESTADO
Publicado em 04/11/2026 às 06:04
Os ativos brasileiros voltaram a sofrer nessa terça-feira (3), em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política econômica do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Bolsa caiu, o dólar avançou para o maior nível em quase um ano e os juros futuros subiram, refletindo a percepção de maior risco fiscal e institucional. O mercado também acompanhou as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem alterar o equilíbrio de forças no Congresso norte-americano.
O Ibovespa encerrou o dia em queda de 1,42%, aos 165.528 pontos, menor nível de fechamento desde janeiro e sexto pregão consecutivo de perdas. Na mínima da sessão, chegou aos 164.446 pontos, recuo de 2,07%.
O dólar comercial subiu 0,70% frente ao real e terminou cotado a R$ 5,486, no maior patamar desde dezembro de 2025. O movimento prolongou a pressão observada na semana anterior, quando a moeda americana avançou fortemente após a reeleição de Lula.
Juros
Os juros futuros também subiram. Os contratos de DI com vencimentos em janeiro de 2031 e janeiro de 2035 avançaram mais de nove pontos-base, para 15,37% e 15,42% ao ano, respectivamente. Taxas mais elevadas encarecem o custo de financiamento da economia, aumentam a atratividade da renda fixa e pressionam ações, especialmente de empresas mais dependentes de crédito.
No mercado de títulos públicos, o movimento também foi de aumento das remunerações exigidas pelos investidores. O Tesouro IPCA+ com vencimento em agosto de 2032 chegou a oferecer retorno de 8,12% ao ano acima da inflação, enquanto o Tesouro Prefixado para janeiro de 2028 pagava 14,69% ao ano.
Parte da tensão doméstica foi atribuída à repercussão de uma proposta defendida pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Ele sustenta que o elevado custo dos juros, e não apenas os gastos primários, desempenha papel central no crescimento da dívida pública brasileira, que está próxima de 83% do Produto Interno Bruto.
Entre as ideias apresentadas por Lara Resende está a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por coordenar metas fiscais e monetárias em um horizonte de quatro a cinco anos. A proposta prevê uma redução gradual da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para cerca de 7,5% em 12 meses.
A possibilidade provocou resistência entre participantes do mercado, que temem que uma redução administrada dos juros, sem melhora correspondente da percepção de risco fiscal, estimule saída de capitais, desvalorização adicional do real e aumento das pressões inflacionárias. O próprio desenho discutido por Lara Resende prevê a utilização das reservas internacionais para reduzir oscilações excessivas do câmbio.
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