Bancas, jornais e outras coisas mais
Bancas, jornais e outras coisas maisEm um mundo tecnológico, elas resistem. Claro que precisaram se reinventar: hoje vendem de tudo. Picolés, refrigerantes, guloseimas, jogos, pala...
POR O ESTADO
Publicado em 29/07/2026 às 00:01
Bancas, jornais e outras coisas mais
Em um mundo tecnológico, elas resistem. Claro que precisaram se reinventar: hoje vendem de tudo. Picolés, refrigerantes, guloseimas, jogos, palavras cruzadas, chips para celular e uma variedade enorme de coisas. Parece que o jornal se tornou só um detalhe, tudo bem. Algumas não vendem mais os impressos, o que é lamentável e não deixa de ser uma traição. O estabelecimento ali na praça, na calçada, só existe porque um dia, em sua origem, comercializou periódicos locais e nacionais diariamente. Como pode uma banca de jornal não vender jornal? Deveria, então, receber outro nome, não mais banca de jornal, mas talvez passar a ser denominada banca de variedades.
Sinto uma enorme alegria ao me deparar com uma banca autêntica, que mantém viva a tradição e faz jus à sua existência. Algumas dessas verdadeiras bancas expõem os jornais logo na entrada, na frente, em objetos próprios para isso. Melhor ainda quando passo por alguma no dia em que sai minha colaboração para este O Estado e paro para ver o jornal lá firme, impávido e colossal.
O texto fica disponível no site do jornal (pessoas do mundo inteiro podem acessá-lo). Hoje, com o celular, tudo está na palma da mão, mas é bom vê-lo estampado na grande página cinzenta, logo depois da capa, materializado, eternizado. É bom pegar no jornal, manuseá-lo.
Confesso que guardo as edições impressas em que há meu texto. Já tenho pilhas e mais pilhas de vários anos. Pelas manchetes, é possível perceber uma sucessão de eventos históricos. Enquanto eu escrever e for publicado, lutarei incansavelmente para que o destino do impresso não seja maculado com as necessidades fisiológicas de cães, ou tenha outro fim pouco nobre.
Desejo vida longa às bancas e aos jornais que, em meio a tanta tecnologia, ainda publicam a edição de papel.
FELIPE AUGUSTO FERREIRA FEIJÃO
PROFESSOR E
MESTRE EM FILOSOFIA
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