Balsa encalhada: um evento no Icaraí
Comerciantes e visitantes relatam alteração na rotina em virtude do encalhamento de balsa na Praia do Icaraí, Região Metropolitana de Fortaleza The post Balsa encalhada: um evento ...
POR O ESTADO
Publicado em 23/07/2026 às 02:00
O comerciante Marcelo Aguiar acreditava que a terça-feira (21) era mais um dia normal. Dono de uma barraca na Praia do Icaraí, em Caucaia, há pelo menos cinco anos, assustou-se com a embarcação encalhada desde a madrugada de terça no espigão batizado de Felipe Gonzales Saraiva da Rocha, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Do tipo balsa, a barca encalhou a poucos metros de sua barraca. O que aconteceu nas horas seguintes, de acordo com o quiosqueiro, não ocorria nem nos períodos mais movimentados da orla do Icaraí, em festas como o Ano Novo.
“Nunca. Nem na virada de ano aconteceu uma coisa dessas. A gente nunca viu tanta gente que nem deu ontem [terça]”, conta. O barraqueiro comemorou o aumento do público, que refletiu diretamente nas vendas de seu estabelecimento. Itens acabaram rapidamente, obrigando o comerciante a repor o estoque. “Acabou tudo. Acabou cerveja, acabaram os cocos. Tive que repor tudo hoje de novo”, afirma.
Aos 43 anos, Marcelo afirma que nunca tinha visto uma cena como a do navio encalhado. Para ele, o fluxo intenso de curiosos transformou a rotina da praia. “O pessoal saía que nem um formigueiro. Muita gente mesmo.” Entre os comentários que mais ouviu dos visitantes, estava uma reclamação recorrente sobre a infraestrutura do local. “Muitos falando que aqui é muito escuro. Aqui faz um breu de noite. É tudo apagado. Só mais pra lá é que tem iluminação com refletor”.
Mesmo depois da retirada da embarcação nesta quarta-feira (22), o vendedor afirmou que curiosos “continuaram chegando”. “Muita gente veio hoje também, mas perguntando: ‘Cadê o navio?’. Eu dizia: ‘O navio foi embora”. Marcelo acompanhou a operação de desencalhe. “Amarraram os cabos de aço. Eu achei que nem ia conseguir puxar, porque o navio estava encalhado na areia, mas conseguiram”.
Após a retirada, a praia voltou à rotina. O barraqueiro admite que o episódio foi positivo para o faturamento. “Minha venda melhorou por causa do navio”, diz. Ao fim da entrevista, diz com bom humor: “Eu queria o navio de novo.”
Transporte público “lotado”
O encalhe da embarcação também despertou o interesse da técnica de enfermagem Samara Costa, 33. Ela lamenta que o navio tenha permanecido pouco tempo no local, impedindo que muitas pessoas, ocupadas com o trabalho, conseguissem visitá-lo. “Todo mundo ficou ansioso para ver a atração turística que durou apenas um dia e algumas horas”, afirma. Na avaliação dela, embarcações abertas à visitação poderiam ser uma alternativa para incentivar o turismo e oferecer opções de lazer às famílias.
Entre os impactos negativos percebidos por quem vive no local esteve a lotação do transporte público. A esteticista Marília Melo, 32, conta que precisou pegar ônibus para levar a filha ao treino de vôlei e encontrou uma situação diferente da habitual. “Sempre o ônibus vem um pouquinho mais vago, porém ontem estava bem mais lotado”, relata. Segundo ela, o aumento da circulação de pessoas foi percebido no trajeto para a praia.
O caso
A balsa que encalhou na Praia do Icaraí na terça foi retirada do local nesta quarta. A retirada ocorreu após a chegada do navio rebocador “SN CARAÍVA”. A empresa afirma que a operação foi conduzida em conformidade com o planejamento aprovado pela Capitania dos Portos do Ceará (CPCE). (Por Júlia Lopes, estagiário sob supervisão de editores)
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