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Ceará / 29.07.2026

Atendimentos a motociclistas no IJF crescem 22% no primeiro semestre de 2026

Hospital realizou, entre janeiro e junho deste ano, cerca de 4,4 mil atendimentos envolvendo motociclistas, 782 ocorrências a mais que o mesmo período de 2025 The post Atendimentos...

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POR O ESTADO

Publicado em 29/07/2026 às 02:00

Atendimentos a motociclistas no IJF crescem 22% no primeiro semestre de 2026
© FONTE: O Estado

O Instituto Doutor José Frota (IJF) registrou, entre janeiro e junho deste ano, 4.401 atendimentos relacionados a acidentes com motociclistas. O número representa aumento de 22% em relação aos seis primeiros meses de 2025, quando o hospital contabilizou 3.619 casos do tipo. De acordo com o equipamento, junho concentrou o maior número de atendimentos relacionados a essas ocorrências, com 834 acidentes. O número é maior que a média verificada dos primeiros seis meses do ano, com cerca de 730 atendimentos mensais.

Apesar do aumento, a Prefeitura de Fortaleza informa que a capital registrou leve redução no número de mortes no trânsito em 2025. Segundo dados da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), foram contabilizados 171 óbitos nas vias da cidade, 7% a menos em relação a 2024, quando 184 vítimas fatais foram registradas. Os motociclistas, porém, continuam sendo os usuários mais suscetíveis, concentrando 58% das mortes.

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Implicações

Para o professor e chefe do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará e mestre em Recursos Hídricos (UFC), Ademar Gondim, o aumento dos atendimentos não deve ser interpretado de forma isolada. Em sua avaliação, é preciso considerar o crescimento da frota e o uso das motocicletas nos últimos anos. “Houve um aumento dos acidentes, contudo, também houve aumento na utilização das motos”. Apesar da ponderação, Gondim ressalta que o volume de acidentes envolvendo essa categoria continua sendo motivo de preocupação.

Ele explica que a segurança no trânsito depende da interação entre três fatores: veículos, infraestrutura viária e comportamento humano. “É um sistema que envolve veículos, vias e pessoas. A segurança das pessoas é responsabilidade de cada um’’. O gestor aponta, entre os principais problemas observados em acidentes envolvendo motocicletas, o uso inadequado dos equipamentos de proteção. Para ele, a utilização do capacete previne, mas não remedia em totalidade os riscos de acidentes de trânsito. “Fico assustado quando vejo pessoas pilotando de sandália. Qualquer acidente pode resultar na perda do pé. O capacete protege a cabeça, mas e o tronco? E os braços? E as pernas? A proteção precisa ser completa”, afirma.

O consultor em mobilidade urbana Felipe Alves relata que o aumento dos atendimentos acompanha o crescimento da circulação de motocicletas. Segundo ele, o número de pessoas que utilizam a moto como principal meio de transporte ou ferramenta de trabalho aumentou nos últimos anos, o que ajuda a explicar a alta nos registros.

Ele ressalta, porém, que os dados precisam ser analisados de forma contextualizada. “Com mais motos circulando, é esperado um aumento no número absoluto de acidentes. O ideal é relacionar esses números ao crescimento da frota para entender a dimensão real do problema”, afirma.

Felipe aponta que, além do maior uso das motocicletas, há indícios de que comportamentos de risco também contribuem para esse cenário, embora essa relação dependa de investigações específicas. Ele cita infrações frequentes, como avanço de sinal vermelho, excesso de velocidade e circulação na contramão, e defende o reforço da fiscalização.

Homens se acidentam mais

Conforme o IJF, o público masculino entre 20 e 29 anos são os mais atingidos pelos acidentes envolvendo motocicletas. Nessa faixa etária, foram registrados 1.044 atendimentos no primeiro semestre deste ano, cerca de 23% dos 4,4 mil contabilizados entre janeiro e junho, contra 414 ocorrências entre mulheres da mesma idade, público correspondente a 10% do total.

Os profissionais ouvidos pela reportagem convergem na necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção. Gondim defende investimentos em transporte público de qualidade para reduzir a dependência da motocicleta. Já Felipe Alves avalia que o poder público deve ampliar a fiscalização, regulamentar melhor os aplicativos de transporte e entrega e evitar intervenções que vão “contra todos os estudos técnicos de segurança viária”, segundo o consultor, como a faixa exclusiva para motocicletas. “Os dados estão abertos para quem quiser contestar, e indicam que piora a segurança viária’’.

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