Após nova conversa com governo, EUA devem estender negociações para evitar tarifaço
O governo brasileiro e os Estados Unidos devem estender o prazo do grupo de trabalho criado para negociar temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre pr...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 01/06/2026 às 13:26
O governo brasileiro e os Estados Unidos devem estender o prazo do grupo de trabalho criado para negociar temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros no mercado americano. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme, porém, que mesmo assim o governo Trump aumente tarifas sobre importações brasileiras sob justificativa de combater práticas desleais por parte do Brasil. Segundo apurou o blog, o grupo técnico, que inicialmente teria duração de 30 dias, seguirá funcionando além do prazo previsto. O período estabelecido para as negociações termina nesta sexta-feira, mas integrantes das conversas afirmam que ainda não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos. Agora no g1 "Em trinta dias teríamos que encontrar pontos de convergência e estamos negociando ainda. Vai passar de 30 dias", afirmou à reportagem uma fonte com acesso às reuniões. Por outro lado, no caso da seção 301, que investiga práticas desleais contra empresas americanas, termina nesta semana o prazo para que o escritório de Comércio dos EUA (USTR) emitir suas recomendações no caso, que inclui até críticas ao Pix brasileiro. O prazo final para a decisão é no dia 15 de julho. O Brasil quer incluir as duas decisões num pacote só, a ser negociado pelo grupo de trabalho criado na reunião entre Lula de Donald Trump, adiando qualquer tarifaço pela seção 301. No âmbito deste grupo de trabalho, além da reunião virtual realizada em 19 de maio entre equipes técnicas dos governos, houve um novo contato na semana passada entre Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A conversa não havia sido divulgada anteriormente e é vista como mais uma tentativa de manter abertas as negociações entre os dois países. Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que uma última reunião deve ocorrer ainda nesta semana. A principal meta do Brasil é ganhar tempo e evitar a adoção imediata de novas medidas tarifárias por parte de Washington. Investigação pode ter resultado preliminar nos próximos dias O MDIC também já trabalha com a expectativa de que o governo americano divulgue nos próximos dias um resultado preliminar da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. A investigação foi instaurada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia se determinadas políticas brasileiras causam prejuízos injustificados a empresas e trabalhadores americanos. O prazo final para conclusão do processo está previsto para 15 de julho. O principal temor do governo e do setor produtivo brasileiro é que a investigação resulte na aplicação de novas tarifas sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos. Nos cenários discutidos por autoridades e empresários, as sobretaxas poderiam chegar a patamares entre 30% e 50%, dependendo das conclusões do governo americano. Representantes do MDIC e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) já participaram de reuniões virtuais ao longo de maio com integrantes do USTR para apresentar argumentos e buscar pontos de convergência. Apesar da manutenção do diálogo, fontes do governo admitem, sob reserva, que as negociações não produziram resultados concretos até o momento. Por isso, cresce a preocupação dentro da administração federal com a possibilidade de novas sanções comerciais. Enquanto aguardam a divulgação do resultado preliminar da investigação, autoridades brasileiras e representantes do setor empresarial dos dois países esperam que Washington apresente um balanço oficial das negociações ou novas diretrizes para as tratativas logo após o encerramento do prazo inicialmente previsto para o grupo de trabalho. A expectativa no governo é que a prorrogação das negociações permita manter o canal de diálogo aberto enquanto os Estados Unidos concluem a investigação. Auxiliares que acompanham as conversas afirmam que o objetivo imediato é evitar a adoção de novas tarifas antes da conclusão do processo e criar condições para uma eventual convergência entre os dois lados.