Anvisa desmente informações falsas e afirma que reposição de testosterona para mulheres não é obrigatória
Nas redes sociais, a informação sobre reposição de testosterona em mulheres circula de forma repetida e persistente, com promessas de pele mais firme, ganho de massa muscular, emag...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 07/08/2026 às 10:10
Nas redes sociais, a informação sobre reposição de testosterona em mulheres circula de forma repetida e persistente, com promessas de pele mais firme, ganho de massa muscular, emagrecimento e aumento da libido, entre outros. No entanto, especialistas afirmam que é falsa a afirmação de que toda mulher precisa repor o hormônio para melhorar a saúde, sua disposição ou evitar os efeitos do envelhecimento.
Isso porque a reposição desse e de outros hormônios não é uma necessidade universal e só deve ser feita quando houver indicação clínica, após avaliação individual e com acompanhamento médico. A indicação depende do quadro clínico de cada paciente e precisa considerar sintomas, exames, histórico de saúde e evidências científicas.
Sociedades médicas apontam que a única indicação reconhecida cientificamente para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) na pós-menopausa. Ainda assim, esse recurso só deve ser utilizado após o esgotamento de outras abordagens e a confirmação de persistência do quadro clínico.
Publicada em maio de 2025, a nota conjunta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) sobre o uso de testosterona em mulheres destaca os perigos do uso indiscriminado desse hormônio. Segundo o comunicado, a prática de dosar esse hormônio como exame de rotina ou sob alegação de “déficit androgênico” (queda nos níveis de hormônio) não possui respaldo científico e pode induzir à prescrição hormonal sem indicação.
Efeitos adversos
O uso sem necessidade comprovada, em doses superiores às recomendadas ou em combinação com outras substâncias pode aumentar os riscos à saúde. Por isso, promessas genéricas de mais energia, rejuvenescimento ou benefícios estéticos devem ser vistas com cautela.
O uso de testosterona sem indicação clínica pode causar acne, alopecia (perda significativa de cabelo e pelos), alterações no fígado, dislipidemia (distúrbio nos níveis de gorduras no sangue, podendo formar placas nas artérias), dependência psíquica, problemas no coração e nos vasos sanguíneos.
Dados de farmacovigilância reunidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre medicamentos classificados como anabolizantes mostram aumento das notificações de eventos adversos nos últimos anos, com pico em 2024. Testosterona e somatropina, que são medicamentos controlados regularizados no Brasil e possuem indicações terapêuticas específicas aprovadas, concentram mais de 90% dos registros desse grupo.