Amazon cria divisão secreta que compra e destrói livros raros para treinar IA
Uma investigação publicada pela 404 Media aponta que a Amazon mantém uma operação de compra de grandes quantidades de livros raros e antigos que ...
POR CANALTECH
Publicado em 18/08/2026 às 10:08
Uma investigação publicada pela 404 Media aponta que a Amazon mantém uma operação de compra de grandes quantidades de livros raros e antigos que seriam usados na obtenção de dados para treinamento de inteligência artificial. Segundo a reportagem, os exemplares são enviados para uma instalação da empresa em Las Vegas, onde passam por um processo de digitalização e acabam destruídos.
A descoberta começou quando um livreiro colocou um AirTag escondido em um livro raro vendido em um pedido de grande volume. O rastreador acompanhou o pacote até o armazém VGT3, em Las Vegas, identificado pela reportagem como uma unidade ligada às operações de treinamento de IA da Amazon. Os funcionários do local trabalhariam na separação das páginas e das lombadas para facilitar a digitalização do conteúdo.
Segundo a investigação, a operação procura principalmente livros antigos identificados por códigos ISBN. Muitos deles têm pouco valor comercial, mas podem conter conteúdos que não estão disponíveis em grandes bases digitais, como obras que nunca foram traduzidas ou tiveram circulação limitada.
Esse tipo de material pode ser especialmente interessante para o desenvolvimento de modelos de IA. Ao reunir obras pouco acessíveis aos concorrentes, a Amazon teria acesso a um conjunto de dados potencialmente exclusivo para treinar seus modelos.
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A investigação também aponta que empresas de IA costumam recorrer a serviços intermediários para esconder sua identidade como compradoras, o que evita negociações diretas com livreiros e reduz a necessidade de explicar qual será o destino final das obras adquiridas.
Relatos atribuídos a funcionários em fóruns online também indicam que a unidade teria enfrentado uma falta de livros para digitalização no início de 2026. A situação teria levantado dúvidas sobre a continuidade da operação, mas o armazém continuou funcionando e recebendo novos lotes de livros.
A própria identidade visual da equipe chama atenção. Segundo a 404 Media, o grupo usa um logotipo com um Tyrannosaurus rex prestes a devorar um livro, uma referência que ganhou outro significado diante das acusações de destruição dos exemplares.
A Amazon não comentou as alegações sobre a instalação de Las Vegas, o processo de digitalização ou a destruição dos livros. Em resposta enviada a veículos de imprensa, a empresa afirmou apenas: “A Amazon compra livros por meio de canais comerciais para ajudar a desenvolver e melhorar os produtos e serviços que nossos clientes utilizam.”
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Por que a prática gera polêmica?
O caso coloca em discussão uma questão cada vez mais presente no desenvolvimento de IA: até onde empresas podem ir para conseguir dados de treinamento?
Os defensores da prática argumentam que muitos dos livros comprados têm pouco valor comercial e que a digitalização ajuda a preservar o conteúdo. O problema apontado por livreiros e colecionadores é que o processo pode eliminar justamente os exemplares físicos que ainda existem.
O livreiro que colocou o AirTag em um dos livros destacou que essas obras carregam valor histórico, intelectual e sentimental, aspectos que, segundo ele, são ignorados pelas empresas de IA. Nessa perspectiva, o livro é tratado menos como objeto de coleção ou registro histórico e mais como uma fonte de dados, formada por palavras que podem alimentar os algoritmos.
A preocupação é maior no caso de livros raros ou de circulação limitada. Mesmo que o conteúdo seja digitalizado, o arquivo criado pela empresa não fica disponível para o público. Assim, o processo pode resultar na preservação do texto dentro de uma infraestrutura privada enquanto o objeto físico desaparece.
A estratégia também chama atenção porque empresas concorrentes adotam posições diferentes sobre o uso de livros no treinamento de IA. Segundo a reportagem, Anthropic e xAI afirmaram que não utilizam livros raros ou antigos para esse objetivo.
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