Advogado é sequestrado pelo PCC e torturado em ‘tribunal do crime’ em São Paulo
O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado e submetido a horas de tortura psicológica por integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em...
POR REVISTA CAMOCIM
Publicado em 17/08/2026 às 07:33
O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado e submetido a horas de tortura psicológica por integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em Cubatão, no litoral de São Paulo.
O caso aconteceu em 11 de junho, quando Rafaell foi atraído para uma emboscada após receber uma suposta solicitação para atuar na defesa de um integrante da facção que havia sido preso.
Ao chegar a uma comunidade na Vila Esperança, o advogado percebeu que havia caído em uma armadilha. Ele foi levado para um barraco e mantido em cárcere das 19h até a 1h da madrugada seguinte.
Segundo o relato de Rafaell, cerca de 30 criminosos participaram presencialmente do chamado tribunal do crime. Outros integrantes acompanharam a sessão por videochamada. Entre eles estaria Wagner Rodrigues dos Santos, apontado como integrante do PCC e que teria participado como uma espécie de juiz do julgamento.
O objetivo era obrigar o advogado a abandonar uma ação judicial envolvendo uma empresa de pesca. Rafaell representava um antigo sócio de Wagner, que cobrava valores referentes à participação na empresa após afirmar ter sido retirado da sociedade.
Durante o cárcere, o advogado teve o celular tomado e foi ameaçado. Ele também foi pressionado a revelar o endereço do cliente e a desistir do processo.
Para conseguir sair vivo, Rafaell concordou em abandonar a ação. Depois de ser libertado, porém, procurou o Ministério Público e denunciou o caso.
A investigação deu origem à Operação Patrocínio Fiel, realizada pelo Gaeco e pela Polícia Militar. Mandados foram cumpridos em cidades de São Paulo e Santa Catarina. Um dos suspeitos foi preso, enquanto Wagner é considerado foragido. Outro investigado morreu durante uma ação policial.
O advogado decidiu tornar o caso público mesmo diante do medo de represálias. Ele afirmou que ficou abalado psicologicamente após o episódio e passou a temer pela própria vida.
Carlos Jardel
via Folha UOL