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Ceará / 29.06.2026

A Copa que o Brasil quer abraçar

Com Vini Jr. artilheiro, sete pontos na fase de grupos e o mata-mata começando nesta segunda, a Seleção chega ao momento decisivo com crescimento e esperança renovada.Tem uma coisa...

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POR O ESTADO

Publicado em 29/06/2026 às 03:43

A Copa que o Brasil quer abraçar
© FONTE: O Estado

Com Vini Jr. artilheiro, sete pontos na fase de grupos e o mata-mata começando nesta segunda, a Seleção chega ao momento decisivo com crescimento e esperança renovada.
Tem uma coisa que a Copa do Mundo faz com o Brasil que nenhum outro evento consegue. Para tudo. Literalmente. O país inteiro — de Fortaleza ao interior do Acre — congela diante de uma tela, segura a respiração e acredita, com uma fé que faz inveja a qualquer religião organizada, que desta vez vai ser diferente.
E desta vez, sinceramente, pode ser.

Um formato novo para uma era nova.
A Copa do Mundo de 2026 é diferente em sua própria estrutura. Pela primeira vez na história, 48 seleções disputam o título mais cobiçado do esporte, divididas em 12 grupos, espalhadas pelo Canadá, Estados Unidos e México. O formato novo trouxe uma fase inédita — os 16 avos de final — que antecede as tradicionais oitavas. São 104 jogos, 39 dias de competição, e uma nova lógica onde errar na fase de grupos ainda permite correção no caminho. O futebol ficou mais generoso nesta edição. E o Brasil soube aproveitar esse espaço.

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Sete pontos e a liderança do grupo
A Seleção encerrou a fase de grupos liderando o Grupo C com sete pontos — duas vitórias e um empate. Começou tropeçando diante do Marrocos num empate em 1 a 1 que deixou o torcedor apreensivo. Mas o que veio depois foi crescimento real, evolução tática e muita qualidade individual. Contra o Haiti, vitória por 3 a 0 com autoridade e controle. Contra a Escócia, mais 3 a 0 e uma demonstração de que esse time tem identidade, coletivo e capacidade de resposta quando a pressão aumenta.
O coletivo que sustenta o talento
Ao lado dele, uma peça que vem crescendo em silêncio: Matheus Cunha. Três gols na fase de grupos, adaptação cirúrgica ao papel de centroavante e a capacidade de aparecer nos momentos em que a equipe mais precisa. Bruno Guimarães controlando o meio-campo com maturidade europeia e duas assistências decisivas no jogo contra a Escócia. Alisson seguro na meta, transmitindo tranquilidade para toda a defesa. Uma equipe que, sob o comando do primeiro treinador estrangeiro da história a dirigir o Brasil em uma Copa do Mundo — o italiano Carlo Ancelotti — parece ter encontrado um equilíbrio saudável entre sistema tático e a liberdade criativa que sempre definiu o futebol brasileiro.

Os dramas e a esperança
Há também os dramas inevitáveis. Raphinha saiu lesionado no jogo contra o Haiti e sua condição para o restante do torneio ainda preocupa a comissão técnica. E Neymar, eterno personagem de novela brasileira, estreou nos minutos finais do jogo contra a Escócia — com o placar já construído e sem qualquer pressão sobre os ombros. Não sabemos ainda qual é o tamanho desse Neymar em 2026. Mas o simples fato de ele estar lá, presente no torneio, já alimenta o imaginário coletivo de um povo que nunca desiste de acreditar nas histórias que ama.

Que venha o japão
O mata-mata começa já nesta segunda-feira, 29 de junho, quando o Brasil enfrenta o Japão, em Houston. Um passo de cada vez, como deve ser em qualquer competição séria. Se avançar, aguarda o vencedor do duelo entre Noruega e Costa do Marfim nas oitavas de final, em 5 de julho. A estrada até a grande final de 19 de julho, no MetLife Stadium em Nova Jersey, é longa. Mas o Brasil está de pé, bem classificado e crescendo no momento exato em que precisa crescer. O esporte tem essa magia particular. Não é a tabela fria que define campeões. É o conjunto de pequenas decisões ao longo da jornada — um corte providencial, um lançamento milimiétrico, um gol anulado por centímetros, uma lesão no pior momento — que vai costurando o destino de um torneio. O Brasil conhece esse roteiro. Aprendeu da forma mais dolorosa possível em outros Mundiais, em outros momentos que preferíamos apagar. Mas o aprendizado serviu, e essa versão da Seleção parece ter incorporado a lição.
Que venha o Japão. E que essa Copa, finalmente, seja a nossa.

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